BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O novo ministro da articulação política, José Guimarães, afirmou nesta quinta-feira (16) que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda oferecer subvenção à gasolina para conter os efeitos econômicos da guerra no Irã, como já foi aplicado a óleo diesel e gás de cozinha.
“O governo tomou medidas muito corajosas com relação a diesel, mas não basta porque agora tem a gasolina”, disse. “O governo está elaborando medidas que não estão ainda todas em conta. Como nós já falamos, é para resolver, para ajudar. Não deixar que o tributo se recaia, sobretudo, nos consumidores”, disse.
Guimarães também defendeu a possibilidade de um aumento do endividamento nacional para preservar a economia popular dos impactos da guerra. “É claro que em uma guerra dessa nós não podemos transferir para a população os prejuízos dela. Se tiver que, na minha opinião, aumentar o endividamento do país para salvar a economia popular, tem que fazer”, declarou a jornalistas.
De acordo com ele, ainda assim as medidas são insuficientes para dar conta do estrago promovido pelo conflito. Guimarães afirmou que em breve a gestão petista deve fazer um novo anúncio com recursos de proteção.
“O governo deverá até, nos próximos dias, anunciar mais medidas sobre isso. E a questão também que nós começamos a discutir é o endividamento das famílias. Nós vamos trabalhar muito nesses próximos dias para o presidente anunciar medidas para enfrentar o endividamento das famílias brasileiras, para enfrentar a guerra”, declarou.
Com o começo dos efeitos da guerra na economia brasileira, a equipe econômica de Lula já anunciou um pacote de medidas para controlar a inflação, como a isenção das alíquotas de PIS/Cofins sobre o biodiesel e o querosene de aviação. Após isso, foi anunciada a subvenção extra ao diesel e ao gás de cozinha.
Guimarães afirmou que o governo trabalha com uma expectativa de dois meses de duração da guerra.
De acordo com o ministro, a intenção é anunciar medidas semelhantes às de suporte divulgadas na quarta (15) para a área da construção civil, com foco no Minha Casa, Minha Vida.
Ainda no encontro com jornalistas, Guimarães se mostrou a favor de uma possível revogação da chamada “taxa das blusinhas”, ao comentar a declaração recente de Lula, que chamou o tributo de “desnecessário”.
“Quando essa matéria foi votada eu achava que ela não deveria ser aprovada. Para mim foi um dos elementos mais fortes de desgaste do governo. Se o governo decidir revogar, eu acho uma boa. É uma opinião para quando eu for consultado”, disse.
José Guimarães foi escolhido por Lula para assumir a Secretaria das Relações Institucionais, pasta responsável pela articulação política entre o Executivo e o Congresso no lugar de Gleisi Hoffmann. Guimarães era líder do governo na Câmara, posto agora assumido por Paulo Pimenta (PT-RS).
A posse de Guimarães lotou um dos salões do Palácio do Planalto, reunindo parlamentares de esquerda e centrão, além dos chefes do Legislativo, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP).

