BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Em disputa com Lula (PT) pelo eleitorado feminino, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, divulgou um vídeo para defender ações do governo Jair Bolsonaro (PL) em relação a mulheres e criticar a gestão do petista.
Na última pesquisa Datafolha, divulgada no sábado (11), Flávio e Lula aparecem empatados tecnicamente com 46% e 45% das intenções de voto, respectivamente, em um cenário de segundo turno. Entre as mulheres, o bolsonarista marca 43% ante 47% do petista. A margem de erro é de dois pontos.
Como mostrou a Folha de S. Paulo, o aceno de Flávio ao público feminino ocorre após ele ter rifado sua aliada Soraya Santos (PL-RJ) na disputa por uma vaga no TCU (Tribunal de Contas da União) menos de uma semana depois de tê-la lançado na corrida sob o argumento de que uma mulher deveria ocupar o posto.
A deputada retirou sua candidatura em nome de um acordo do PL para apoiar Elmar Nascimento (União Brasil-BA), que foi derrotado, e Flávio prometeu apoiá-la para a próxima vaga que surgir na corte de contas.
A ação de Flávio foi indiretamente criticada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher. Ela fez publicações a favor de Soraya nas redes e lamentou sua desistência: “Soraya, o TCU seria muito melhor com você lá. Triste dia!”. Em outro post, emendou: “Atitudes sempre irão provar que palavras não valem nada”.
Para melhorar a imagem entre as mulheres, a pré-campanha de Flávio também cogita ter uma candidata como vice. Entre os nomes possíveis estão a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e as deputadas Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE).
O vídeo que mira o público feminino diz que o governo Bolsonaro agiu na prática ao contrário do “discurso vazio da esquerda” e “sancionou dezenas de leis em benefício das mulheres”. Entre as medidas, menciona endurecimento contra agressores, apoio ao empreendedorismo feminino e prioridade às mulheres no programa Casa Verde e Amarela.
Já em relação ao governo Lula, as críticas que aparecem no vídeo dizem respeito à área da segurança pública, destacando voto contrário da esquerda em projetos de aumento de penas para crimes comuns.
O vídeo responde a uma declaração da ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT) a respeito de ataques misóginos de bolsonaristas. Na semana passada, a Justiça do Distrito Federal acatou um recurso e decidiu por unanimidade condenar o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) por ter comparado Gleisi a garotas de programa.
Depois de ter votado a favor de incluir a misoginia entre os crimes de preconceito em sessão do Senado no mês passado, Flávio foi questionado por sua base de apoiadores e passou a justificar o voto favorável. O senador diz que o projeto não defende as mulheres, mas que votou pela aprovação para evitar ser criticado, já que todos seus pares também votaram sim, e com a esperança de que o texto fosse modificado na Câmara.
Lula, que acumula falas machistas assim como Bolsonaro, também tem voltado suas ações para tentar conquistar as eleitoras. Na semana passada, o petista fez um evento para sancionar três leis de proteção a mulheres, que foram aprovadas no Congresso em março, quando as Casas legislativas priorizaram temas do mês da mulher.
Uma das leis determina que a tornozeleira eletrônica seja usada como medida protetiva para monitorar agressores de mulheres. Outra inclui a violência vicária, quando o agressor atinge os filhos para causar sofrimento à mulher, como forma de violência doméstica.

