SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Foram afastados seis policiais militares que testemunharam e não agiram para deter o cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale, suspeito de matar um casal de mulheres em Cariacica (ES).

A Polícia Militar optou por afastar os agentes das ruas e colocá-los em serviços administrativos, além de recolher seus armamentos. Foi pedido ainda um afastamento total deles, que está sendo avaliado. O dia da decisão e as identidades dos afetados, no entanto, não foram informados pela corporação.

Decisão ocorreu após a obtenção de novas imagens, que mostram um outro ângulo. A Corregedoria da PM conseguiu gravações de câmeras de segurança da rua que exibem um plano mais aberto e completo do que ocorreu no dia dos assassinatos.

Os seis agentes foram penalizados por terem se omitido na ação. “O que a gente ensina nas instruções é que haja intervenção em todo crime e tentativa contra a vida, mesmo por parte de um colega, quem quer que seja. Ali, eles tinham que agir para cessar aquela agressão injusta”, falou o comandante-geral, coronel Ríodo Lopes Rubim, em entrevista à TV Globo hoje.

Um deles é um sargento, hierarquicamente superior ao cabo investigado. Ainda segundo Rubim, o homem teria dado voz de prisão ao final, “mas o crime já havia sido cometido”. “O que se esperava era uma atitude anterior dos nossos policiais para se evitar aquele mal maior.”

Comandante-geral argumenta que não havia ordem superior para que Vale atuasse naquela ocorrência. Ele estava afastado dos trabalhos nas ruas por ter matado uma mulher trans em 2022 e não poderia estar lá naquele momento. “Não houve autorização expressa nem tácita para que ele se deslocasse do seu posto para o local. Não está tudo claro, está sendo investigado.”

Corporação determinou abertura de um processo para demitir o cabo. Processo, no entanto, pode levar ao menos 20 dias para chegar a um resultado.

Vale atirou nas duas após ser chamado pela ex-mulher para resolver uma discussão no dia 8 de abril. PM estava no horário de trabalho e foi até o local com outros policiais em uma viatura. Motivo da suposta briga envolvendo a ex-companheira dele não foi informado.

Daniele Toneto e Francisca Chaguiana Dias Viana estavam sentadas na calçada, quando a viatura policial chegou. Casal era vizinho da ex do PM e estava do outro lado da rua do prédio em que viviam no momento do crime, na rua Cinco de Maio, no bairro Cruzeiro do Sul.

Imagens da câmera de segurança mostram o momento em que o PM atira contra as vítimas, enquanto os outros policiais não fazem nada. Ele acertou uma das mulheres ainda sentada e perseguiu a outra, que corre para outra calçada e é baleada mais a frente.

Uma das mulheres morreu no local e outra foi socorrida pelo Samu, mas morreu no hospital. A polícia não informou qual delas foi socorrida e qual morreu na hora.

O cabo foi preso em flagrante pelos próprios colegas e levado a uma delegacia da Polícia Civil. O UOL buscou o TJES para saber se o policial passou por audiência de custódia. O espaço será atualizado se houver posicionamento.