SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Preso nesta quarta-feira (15) em uma operação da Polícia Federal, o cantor MC Ryan SP acumula uma sequência de episódios que, nos últimos anos, extrapolaram a carreira musical. Um dos casos de maior repercussão envolve uma agressão contra a namorada, Giovanna Roque, divulgada em abril de 2024.

Imagens mostraram o cantor desferindo um chute na companheira. À época, ele admitiu que errou. A própria mulher saiu em defesa do artista nas redes sociais, afirmando que também havia partido para cima dele durante a discussão. O relacionamento, marcado por idas e vindas, chegou ao fim meses depois. Em outubro do ano passado, eles divulgaram uma nova retomada da relação.

Ainda no mesmo ano, Ryan foi alvo da polícia após realizar manobras com um carro de luxo no gramado do estádio Barão da Serra Negra, em Piracicaba, no interior paulista, após um show.

O episódio levou à condução do artista à delegacia sob suspeita de dano ao patrimônio, direção sem habilitação e risco à segurança de terceiros. Ele afirmou que a manobra não representava perigo e disse ter negociado o pagamento pelos danos ao local.

Meses antes, o funkeiro já havia sido levado à Superintendência da Polícia Federal após uma abordagem da Polícia Militar na região central de São Paulo. Segundo o próprio cantor, tratou-se de uma “abordagem de rotina” envolvendo o veículo de luxo que dirigia.

Outro caso que gerou repercussão ocorreu em novembro de 2023, quando Ryan entrou em uma escola pública disfarçado de aluno, usando máscara e moletom. Reconhecido por estudantes, causou aglomeração e tumulto dentro da unidade.

No ano passado, o artista cancelou uma turnê internacional nos Estados Unidos após ter o visto de trabalho negado. À época, afirmou nas redes sociais que aguardava havia meses pela viagem.

A exposição pública do cantor também passou por momentos de desgaste fora do campo policial. Confirmado no Rock in Rio 2024, ele não compareceu à apresentação após alegar problemas de saúde.

No entanto, no mesmo dia, publicou imagens assistindo a um jogo do Corinthians ao lado da filha, o que gerou críticas nas redes sociais.

Mais recentemente, em outubro do ano passado, Ryan foi convocado a depor na CPI dos Pancadões, na Câmara Municipal de São Paulo. Durante a oitiva, chegou a cantar a música “Cracolândia” ao presidente da comissão, vereador Rubinho Nunes (União), ao ser questionado sobre o impacto de letras que fazem referência ao uso de drogas, especialmente entre jovens. Ele afirmou que a composição buscava retratar problemas sociais ligados ao tema.

A convocação ocorreu após tentativas anteriores frustradas de ouvi-lo. O cantor chegou a recorrer à Justiça para tentar se livrar do depoimento, alegando violação de sua esfera privada e irregularidades na intimação, mas o pedido foi negado e ele compareceu voluntariamente.

As polêmicas se somam agora à prisão desta quarta, que ocorreu no âmbito de uma investigação sobre lavagem de dinheiro e movimentações financeiras ilegais conduzida pela Polícia Federal, especializada em lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O esquema teria movimentado mais de R$ 1,63 bilhão, segundo a investigação.

Felipe Cassimiro Melo de Oliveira, advogado do artista, afirmou que não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitado de apresentar manifestação específica sobre o caso. O advogado ressaltou que o MC é uma pessoa íntegra. “Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável”, afirmou.