SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – No segundo ataque a tiros em uma escola da Turquia em dois dias, um criminoso matou quatro pessoas e feriu outras 20 em uma instituição de ensino na província de Kahramanmaras, no sudeste do país, nesta quarta-feira (15), de acordo com autoridades locais.
Um dos mortos era um professor, e os outros três, alunos, segundo o governador Mukerrem Unluer. Já o autor dos disparos também era estudante da instituição e usou armas pertencentes ao pai, um ex-policial. Os armamentos foram levados escondidos em uma mochila até o local do ataque.
Ainda segundo o governador, o atirador também morreu, embora não tenham sido divulgados detalhes sobre as circunstâncias. Ele era aluno do oitavo ano e estava com cinco armas e sete carregadores, segundo as autoridades. O criminoso invadiu duas salas de aula com alunos mais novos, do quinto ano, e atirou de forma indiscriminada. Quatro dos feridos estão em estado crítico e passaram por cirurgia.
Vídeo cuja autenticidade não pôde ser verificada pela agência de notícias Reuters mostram estudantes correndo em debandada e pulando de janelas do segundo andar para escapar dos tiros. Imagens de televisão, por sua vez, mostram ambulâncias chegando ao local, enquanto familiares se concentravam na entrada da instituição em busca de notícias. Policiais isolaram a área.
As autoridades não informaram, até o momento, a motivação do ataque. O ministro da Justiça, Akin Gurlek, informou que uma investigação foi aberta para apurar o caso. A ação ocorreu durante debates e preocupações crescentes relacionadas à segurança em escolas e o acesso a armas de fogo no país.
Casos de tiroteios em escolas são raros na Turquia, mas o episódio ocorreu apenas um dia após outro ataque semelhante na província de Sanliurfa, também no sudeste turco. Na terça (14), um ex-aluno abriu fogo em uma escola, feriu 16 pessoas, entre estudantes e professores, e depois tirou a própria vida.
Na Turquia, civis podem possuir armas mediante licença, que exige idade mínima (geralmente 21 anos), antecedentes criminais limpos, avaliação médica e psicológica, além de comprovação de necessidade, como autodefesa ou atividade profissional. Apesar das regras, especialistas apontam a existência de um mercado ilegal relevante que amplia o acesso a armamentos fora dos controles oficiais.

