Da Redação

O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, se pronunciou após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a atuação do estado na área de terras raras e negou qualquer irregularidade ou tentativa de “venda” desses recursos.

A resposta veio depois de Lula afirmar, em entrevista, que acordos firmados por Goiás com empresas estrangeiras poderiam representar risco à soberania nacional. O presidente chegou a classificar a iniciativa como inadequada, argumentando que a gestão estadual teria ultrapassado competências que são exclusivas da União, como a autorização para exploração mineral.

Em contraponto, Caiado afirmou que todas as ações conduzidas durante sua gestão respeitaram os limites constitucionais. Segundo ele, o estado não realizou concessões de exploração nem negociou recursos minerais, mas atuou no incentivo à pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico no setor.

O ex-governador destacou que Goiás seguiu o chamado “direito concorrente” previsto na Constituição, que permite aos estados desenvolver iniciativas complementares sem interferir nas atribuições federais. Ele reforçou que decisões sobre lavra mineral continuam sendo responsabilidade exclusiva do governo federal.

Caiado também confirmou a existência de memorandos de entendimento com países como Estados Unidos e Japão, mas classificou os acordos como parcerias técnicas voltadas ao avanço da cadeia produtiva. A intenção, segundo ele, é permitir que o Brasil deixe de exportar matérias-primas brutas e passe a investir em industrialização e tecnologia, agregando valor aos minerais estratégicos.

O embate ocorre em meio a um cenário de crescente interesse global pelas chamadas terras raras, conjunto de minerais essenciais para a produção de tecnologias como baterias, chips e equipamentos eletrônicos. Lula defende maior controle nacional sobre esses recursos, destacando sua importância econômica e estratégica.

A discussão evidencia uma disputa mais ampla sobre o papel dos estados e da União na exploração desses minerais, além de refletir o peso político do tema em um momento de pré-campanha presidencial. Até o momento, não há decisão oficial sobre eventuais irregularidades, e o debate segue no campo político e institucional.