Da Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter aconselhado o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes a agir com cautela diante das investigações envolvendo o escândalo do Banco Master. A declaração foi feita durante entrevista nesta quarta-feira (8) e ocorre em meio à repercussão de delações e suspeitas ligadas ao caso.
Segundo Lula, ele alertou Moraes para que sua trajetória no Judiciário não seja comprometida pela condução do episódio. O presidente destacou que o ministro construiu uma “biografia histórica”, especialmente por sua atuação em julgamentos relacionados aos atos de 8 de janeiro, e que deveria preservar essa imagem diante da atual crise.
Durante a conversa, Lula também sugeriu que Moraes avalie se declarar impedido de participar de decisões relacionadas ao caso. A recomendação leva em consideração o fato de que a esposa do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes, atuou em processos ligados ao banco comandado pelo empresário Daniel Vorcaro.
Dados citados nas investigações indicam que o escritório da advogada recebeu cerca de R$ 80 milhões em pagamentos da instituição financeira entre 2024 e 2025, o que ampliou a pressão sobre o magistrado e alimentou questionamentos sobre possível conflito de interesses.
Além disso, o presidente demonstrou preocupação com o uso político do caso, especialmente em ano eleitoral. Para ele, há risco de que o episódio seja explorado por grupos de oposição para desgastar instituições como o STF e fortalecer narrativas contra o sistema democrático.
Lula também comentou sobre a possibilidade de delações premiadas no contexto das investigações, defendendo cautela na análise desse tipo de instrumento. Ele relembrou experiências passadas, como as delações da Operação Lava Jato, que tiveram impacto direto em sua trajetória política, inclusive com sua prisão e impedimento de disputar eleições.
O caso do Banco Master segue sob investigação da Polícia Federal e envolve suspeitas de fraudes financeiras bilionárias. A crise tem atingido não apenas o setor financeiro, mas também figuras do meio político e jurídico, ampliando a repercussão nacional e elevando a tensão nos bastidores de Brasília.




