Da Redação

A Justiça condenou a 80 anos de prisão um homem acusado de assassinar a ex-companheira em Niquelândia, no norte de Goiás. O crime, classificado como feminicídio, ocorreu mesmo após a existência de medida protetiva que proibia a aproximação do agressor.

Segundo as investigações, o réu utilizou a justificativa de buscar os filhos para ir até a casa da vítima. No local, iniciou uma discussão e atacou a mulher com um golpe de faca no pescoço. Mesmo ferida, ela ainda conseguiu correr em busca de socorro, mas não resistiu e morreu no hospital.

O caso ganhou ainda mais gravidade porque o assassinato foi cometido na presença dos três filhos do casal, todos menores de idade. Após o crime, o homem fugiu levando as crianças e, durante a tentativa de escapar, se envolveu em um acidente ao colidir o carro contra um caminhão. Em seguida, abandonou os filhos dentro do veículo.

Durante o julgamento, o Tribunal do Júri considerou diversos agravantes para fixar a pena no máximo permitido pela legislação. Entre eles, o descumprimento da medida protetiva, o fato de a vítima ser responsável direta pelos filhos e a execução do crime diante das crianças, o que aumentou significativamente a punição.

Além da prisão em regime fechado, o condenado também perdeu o direito de exercer o poder familiar sobre os filhos. A sentença ainda determinou o pagamento de R$ 150 mil por danos morais aos familiares da vítima, como forma de reparação mínima pelo crime.

O caso reforça o alerta das autoridades sobre a gravidade do descumprimento de medidas protetivas e a escalada da violência doméstica, especialmente em situações que já apresentam histórico de ameaça e risco às vítimas.