Da Redação

A montadora chinesa BYD passou a integrar a chamada “lista suja” do trabalho escravo do governo federal, conforme atualização divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego nesta semana. O cadastro reúne empregadores responsabilizados por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão após decisão administrativa definitiva.

A inclusão da empresa está relacionada a um caso ocorrido em 2024, durante as obras de adaptação da antiga fábrica da Ford, em Camaçari, na Bahia. Na ocasião, uma fiscalização identificou 163 trabalhadores chineses vivendo em condições consideradas degradantes.

Segundo os órgãos de controle, os operários estavam alojados em espaços superlotados, sem condições adequadas de higiene e descanso. Em alguns casos, dezenas de pessoas dividiam um único banheiro, e não havia estrutura mínima para alimentação e moradia digna.

As investigações também apontaram jornadas exaustivas, que chegavam a ultrapassar os limites legais, além de restrições de direitos básicos. Há relatos de retenção de documentos, controle sobre salários e dificuldades de locomoção, elementos que caracterizam trabalho análogo à escravidão pela legislação brasileira.

Os trabalhadores haviam sido contratados por empresas terceirizadas responsáveis pelas obras. Após a repercussão do caso, a BYD informou que rompeu contratos com as prestadoras envolvidas e afirmou não tolerar violações à legislação trabalhista.

A chamada “lista suja” é atualizada semestralmente e funciona como instrumento de transparência. Apesar de não impor punições diretas, a inclusão pode trazer consequências reputacionais e dificultar o acesso a financiamentos e parcerias comerciais.

Ao todo, a nova atualização incluiu 169 empregadores, elevando o total para mais de 600 nomes ativos no cadastro federal. As empresas e pessoas listadas permanecem na relação por até dois anos, podendo sair antes caso firmem acordo de regularização com o governo.

Mesmo com a inclusão na lista, a operação da montadora no Brasil não é automaticamente interrompida, mas o episódio reacende o debate sobre responsabilidade de grandes कंपनhias na fiscalização de fornecedores e condições de trabalho em suas cadeias produtivas.