Da Redação

Uma pesquisa conduzida por cientistas brasileiros trouxe novos indícios de que a cannabis medicinal pode ter efeitos positivos no tratamento do Alzheimer, especialmente no que diz respeito à memória — um dos principais sintomas da doença.

O estudo, considerado pioneiro, foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal da Integração Latino-Americana e acompanhou idosos diagnosticados com a condição em estágios iniciais e moderados. Durante cerca de seis meses, os participantes receberam doses controladas de compostos derivados da planta, como THC e CBD.

Ao final do período, os resultados indicaram melhora significativa no desempenho cognitivo dos pacientes que utilizaram o tratamento, especialmente em testes relacionados à memória. Além disso, também foi observada redução de sintomas como ansiedade e agitação, fatores que impactam diretamente a qualidade de vida.

A pesquisa seguiu um modelo considerado padrão na ciência, com metodologia randomizada, duplo-cega e com grupo de controle, o que aumenta a confiabilidade dos dados obtidos.

Os cientistas acreditam que os efeitos podem estar ligados às propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes dos canabinoides, além da atuação em áreas do cérebro associadas à memória, como o hipocampo.

Apesar dos resultados promissores, os próprios pesquisadores ressaltam que o tratamento ainda é experimental. O número de participantes foi limitado, e novos estudos, com amostras maiores e acompanhamento mais longo, ainda são necessários para confirmar a eficácia da abordagem.

O avanço, no entanto, coloca o Brasil em destaque nas pesquisas sobre o uso medicinal da cannabis e abre caminho para novas possibilidades no combate a doenças neurodegenerativas.