Como césio-137 em Goiânia pôs Brasil no mapa de piores acidentes radioativos do mundo

pessoas sendo examinas para detectar quem estava contaminado
Legenda da foto, No acampamento montado em um campo de futebol, mais de 110 mil pessoas foram examinadas para detectar quem estava contaminado

Article Information

    • Author, Thomas Pappon
    • Role, Witness History, BBC
  • 27 março 2026
  • Tempo de leitura: 7 min

Em setembro de 1987, dois catadores de lixo na cidade de Goiânia entraram em uma clínica abandonada, encontraram uma máquina ali dentro e a desmontaram.

Mal sabiam eles que causariam o que já foi considerado o pior desastre nuclear do mundo desde Chernobyl, em 1986, e o maior acidente radioativo da história fora de uma instalação nuclear.

Os dois homens, Wagner Pereira e Roberto Alves, retiraram a parte superior da máquina – que era uma unidade de radioterapia usada para tratamentos contra o câncer – e a levaram para casa em um carrinho de mão.

Eles usaram chaves de fenda para abrir a pesada caixa de chumbo.

Dentro, havia um cilindro que continha 19 gramas de césio-137, uma substância altamente radioativa.

A história agora é abordada na série ‘Emergência Radioativa, que estreiou na Netflix no dia 18 de março.

Os homens que a encontraram venderam a cápsula para um ferro-velho, propriedade de Devair Ferreira.

Um relatório publicado um ano depois pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) registrou que, em pouco tempo, Pereira e Alves começaram a sofrer com vômitos frequentes, mas atribuíram à época os sintomas a uma intoxicação alimentar.

Fonte: BBC News