A fragmentação da informação nas redes sociais está criando percepções muito diferentes sobre a realidade política entre os brasileiros, aponta a cientista política Luciana Veiga, professora do Departamento de Estudos Políticos da Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) e do mestrado profissional em Comunicação Digital e Cultura dos Dados da FGV Comunicação (Fundação Getulio Vargas).
Em participação no programa WW Especial, da CNN Brasil, a professora analisou o cenário eleitoral de 2026, e destacou o papel dos algoritmos e das redes sociais na construção de climas políticos distintos.
“Se você olha as pesquisas de acordo com os grupos, os grupos de acordo com a atitude política, você vai ver o seguinte: um grupo que está mais próximo do presidente Lula, ou mais próximo da esquerda, ele está percebendo um noticiário relativamente favorável. Os independentes, que não estão nem de um lado nem do outro, estão vendo um noticiário mais negativo. E as pessoas que estão mais à direita e mais bolsonaristas estão vendo um noticiário muito negativo”, explica Luciana.
Para a professora, essa segmentação das informações impacta diretamente a percepção sobre economia, corrupção e segurança pública. “A economia é sempre um aspecto superimportante, mas a percepção da economia nos subgrupos é muito distinta. Predomina, sim, um clima ruim, de falta de expectativa, uma desilusão, porque, na verdade, quando as pessoas votaram na última eleição [2022], elas tinham a expectativa de um Lula que pudesse trazer de volta aquele momento de prosperidade, e isso não aconteceu”, afirma.
Fonte: CNN






