Da Redação
Uma investigação da Polícia Civil trouxe à tona um esquema envolvendo uma mulher que se apresentava como biomédica sem possuir formação na área, em Goiânia. Cerca de um mês após a interdição da clínica onde ela atuava, a suspeita foi formalmente indiciada por crimes como falsidade ideológica, falsificação de produtos medicinais e exercício ilegal da profissão.
A clínica foi fechada durante uma operação conjunta com a Vigilância Sanitária, realizada no dia 26 de fevereiro. No local, foram encontradas diversas irregularidades, incluindo a ausência de alvarás de funcionamento, armazenamento inadequado e produtos vencidos. Entre os itens apreendidos estavam medicamentos utilizados para emagrecimento, além de outros insumos de uso estético.
De acordo com o inquérito policial concluído recentemente, a mulher não possui ensino superior completo. Em depoimento, ela admitiu não ser enfermeira e afirmou estar apenas cursando biomedicina. A declaração contrasta com o que havia divulgado anteriormente nas redes sociais, onde se apresentava como profissional da saúde e alegava estar em processo de registro. A polícia, no entanto, identificou que o diploma apresentado por ela era falso.
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi o uso indevido de dados de uma profissional da área da biomedicina. Sem autorização, a suspeita utilizava nome e registro de terceiros para adquirir insumos para a clínica. Apenas com uma fornecedora, os gastos chegaram a aproximadamente R$ 200 mil.
A prática envolvia também uma vendedora, que teria participado do processo de compras e foi igualmente indiciada. As versões apresentadas pelas duas divergem. Enquanto a falsa biomédica afirma que foi orientada pela vendedora a utilizar os dados de outra profissional, a comerciante nega e atribui a responsabilidade à cliente.
Em depoimento, a vendedora admitiu que realizou compras sem o consentimento da titular dos dados e revelou que esse tipo de prática irregular pode ocorrer no setor estético, com cadastros sendo utilizados por terceiros sem autorização formal.
Apesar das declarações, os responsáveis pela empresa fornecedora mencionados no caso não foram indiciados até o momento.
A investigação teve início após a verdadeira biomédica perceber movimentações em seu nome e procurar a polícia. Ela afirmou não conhecer a suspeita nem ter qualquer vínculo com a clínica.
Segundo a autoridade policial responsável pelo caso, além dos crimes já apontados, a suspeita também pode responder por infrações sanitárias e financeiras. O caso segue agora para análise do Ministério Público.






