NATHALIA DURVAL


SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Riize subiu ao palco do Lollapalooza na noite deste sábado (21) com uma grande responsabilidade: representar o k-pop na estreia do gênero na edição brasileira do festival. Eles tocaram em horário nobre, às 21h30, mas disputaram a atenção do público com a headliner Chappell Roan, que cantou no mesmo horário.
O resultado foi uma plateia que encheria uma casa de shows, mas era composta apenas por fãs do pop da Coreia do Sul. O Riize ainda não é tão conhecido no Ocidente como BTS, Blackpink ou Stray Kids, mas faz sucesso na terra natal. Assim que a performance deles acabou, começou uma corrida para tentar pegar o finzinho do show da cantora que é fenômeno pop.
No palco Flying Fish, o mais afastado, o sexteto fez um show animado e saiu do modo automático k-pop, conhecido pelas performances mega sincronizadas, para dar uma cara mais de festival à apresentação, na chance de apresentar o gênero para quem ainda não o conhece.
Levaram ao palco uma banda, incomum até nas performances ao vivo de artistas do pop sul-coreano, que deram nova roupagem às músicas. “Boom Boom Bass”, por exemplo, ganhou pitadas de rock.
Shotaro, Eunseok, Sungchan, Wonbin, Sohee e Anton cantaram com microfones de mão e deixaram de lado o playback, recurso onipresente nessa indústria, mas raro no Lollapalooza.
A agitada “Siren”, que abriu o show, deu o tom do que é o pop sul-coreano, conhecido por misturar diferentes estilos na mesma música. Eles dançam por todo o palco, pulam, agacham, cantam imitando uma sirene. Ela foi seguida por “Fame”, a mais recente, e “Ember to Solar”.
Algumas canções foram incrementadas com “dance breaks” especiais para destacar o forte do grupo, as performances com coreografias agitadas, como em “Impossible” e “Bag Bad Back”. Para descansar entre as danças intensas, intercalaram com músicas mais tranquilas, como “Show me Love” e “Combo”, e deixaram de dançar em outras que costumam ter coreografia, cantando enquanto andavam pelo palco.
“Get a Guitar”, a música de estreia, e “Love 119” foram algumas que mais animaram o público. O setlist, que teve 14 faixas em uma hora de apresentação, trouxe todos os principais lançamentos do grupo lançado em 2023 por uma das maiores gravadoras dessa indústria, a SM Entertainment.
Quando os ídolos perguntaram quem da plateia esteve no show solo que eles fizeram na quinta (19), no Terra SP, quase todos que estavam próximo ao palco levantaram as mãos. Muitos dos presentes, inclusive, vieram de outros países. Alguns fãs balançavam “lightsticks”, bastões de luz que são típicos do k-pop –cada artista tem o seu próprio.
Os seis integrantes tentaram interagir mais com a plateia, falando frases em português e ensinando alguns trechos das canções para que o público tentasse acompanhar. O caçula Anton, que já demonstrou ser fã de música brasileira, se apresentou como “Antonio”. No show solo, cantou um pedaço de “Águas de Março”, de Elis Regina.
O show terminou com a alegre “Fly Up”, com trechos cantados como um coral, que combina com o clima de final de festival. Os cantores fizeram promessas de que voltarão ao Brasil.
Antes de São Paulo, a boyband passou pelo Lollapalooza na Argentina e Chile. Marcelo Beraldo, diretor artístico das edições da América do Sul do Lollapalooza, acha que o festival demorou para incluir k-pop no line-up. Uma combinação de disponibilidade de agenda, concorrência e desinteresse de artistas sul-coreanos no mercado latino é o motivo da demora, ele afirma.
A escalação do Riize foi uma sorte de conciliar agenda e interesse, explica Beraldo. A adição da música sul-coreana foi ensaiada com as bandas indies The Rose, que substituiu Omar Apollo em 2023, e Wave to Earth, no ano passado. Neste domingo (22), sobem ao palco a DJ Peggy Gou e Katseye, grupo feminino que não é k-pop, mas é gerenciada pela empresa do BTS e é popular entre os fãs do gênero –que também disputa o público com outro headliner, Tyler, the Creator.