ANA CLARA COTTECCO

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Após seis anos de um afastamento voluntário do teatro, Paulo Vilhena volta aos palcos em “Qualquer Gato Vira-Lata Tem Uma Vida Sexual Mais Sadia que a Nossa”, comédia de Juca de Oliveira dirigida por Alexandre Reinecke.
Conhecido por trabalhos na televisão e no cinema, ele reduziu o ritmo desde 2021 para se dedicar ao casamento e à chegada da filha e agora retoma a rotina de ensaios ao lado de Duda Reis e Vittor Fernando, na peça que estreia nesta sexta-feira (6), em São Paulo. Paulo conta que considera acertada a sua decisão de priorizar a vida pessoal. Gostou de ter feito essa opção.
“Fala-se muito sobre o que é o sucesso hoje. Eu acho que é poder ter esse tempo voltado para o que você entende que é o melhor para a sua vida”, afirma à Folha de S.Paulo. “Poder voltar com tudo bem resolvido, escolhendo o que fazer, com quem fazer e o tempo que isso vai demandar talvez poder escolher seja o maior sucesso na minha trajetória profissional.”
Segundo ele, a volta aos palcos foi iniciativa própria. Vilhena procurou o produtor Sandro Chaim para dizer que queria fazer teatro. Chaim apresentou a ideia de retomar um texto de Juca de Oliveira dentro de um plano de montar uma trilogia do autor ao longo do ano, e “Qualquer Gato Vira-Lata” virou o primeiro passo.
“Foi maravilhoso ficar com minha família, mas estava com muita saudade do palco, do processo criativo, de encontrar colegas e pessoas do meio que me estimulem”, diz o ator.
Escrita nos anos 80, a peça já virou filme em 2011, na adaptação cinematográfica com Cleo Pires, Malvino Salvador e Dudu Azevedo, com a história sobre três jovens lidando com conflitos amorosos. Tati, abandonada pelo namorado Marcelo, busca ajuda no professor de biologia Conrado, que usa teorias de Darwin para propor um inusitado guia de sedução baseado no comportamento animal, gerando um triângulo amoroso.
Agora, a peça retorna ao palco com ajustes pontuais que dialogam com o presente. Para Vilhena, o texto permanece atual por tratar de temas recorrentes. “Ela fala sobre questões humanas atemporais. Sobre relacionamento, sobre amar e não ser amado, sobre se apaixonar e ter que se desapaixonar, sobre ser feliz ou não ser feliz, sobre trair.”
Ele atribui parte do efeito da montagem à encenação, que opta por uma linguagem mais assumidamente teatral e menos explicativa. Segundo o ator, a proposta mantém certa ambiguidade –o público pode se perguntar se o que vê é imaginação ou realidade– e evita uma recepção passiva. “A peça não deixa o público passivo, ela te atrai para dentro da história, querendo participar daquela trama.”
A formação do elenco também seguiu a essência da peça sobre a química entre os seres humanos. Vilhena conheceu Duda Reis em um evento, conversaram longamente e, no dia seguinte, levou o nome ao produtor por perceber nela o ritmo necessário para a comédia.
Posteriormente, na leitura de elenco, avaliou que a atriz estava conectada à personagem e ao tempo da cena. O elenco se completou com Vittor Fernando, descrito por ele como carismático e dedicado, além da condução de Reinecke. “A química tá boa”, resume.
Antes de voltar ao palco, Vilhena esteve em evidência na série “Tremembé”, em que interpretou Gugu Liberato. Ele diz que recebeu bem a reação ao trabalho depois do lançamento. “Foi um golaço, tanto da parte de concepção da figura, do visagismo, de trazer aquela figura para frente da tela, assim como a dinâmica da série também”, afirma. Reconhece que há leituras diferentes sobre o projeto, mas diz que, para ele, o saldo foi positivo.
Mesmo abraçando dois projetos no último ano, ele diz que prefere decidir caso a caso para o futuro, que ainda está incerto. “Eu acho que tem que analisar cada convite. Eu gosto de ter tempo para entender também se cabe dentro do meu dia, dentro do meu tempo atualmente.” Por ora, a prioridade é a temporada da peça: “Entregar a melhor apresentação”, diz.