Da Redação
O número de goianos com contas em atraso voltou a crescer em fevereiro de 2026, seguindo uma tendência observada em todo o Brasil. Dados do SPC Brasil apontam aumento de 8,36% na inadimplência em comparação com o mesmo período do ano passado.
O índice registrado no estado supera a média da região Centro-Oeste, embora ainda fique abaixo do patamar nacional. Já na comparação entre janeiro e fevereiro, a variação foi praticamente estável, com leve alta de 0,04%, indicando que, no curto prazo, o avanço perdeu força, mas ainda inspira atenção no cenário geral.
Outro dado que preocupa é o crescimento do volume de dívidas. Em Goiás, o total de débitos atrasados subiu 16,80% em um ano. No recorte mensal, a elevação foi de 1,56%, mostrando que o endividamento segue acumulando.
Cada consumidor negativado possui, em média, pouco mais de duas dívidas em aberto, com valor médio em torno de R$ 5,5 mil. Apesar disso, uma parcela significativa dos débitos é de menor valor: boa parte das pessoas deve até R$ 1 mil, o que reforça a ideia de que pequenas pendências, somadas, acabam gerando um grande impacto financeiro.
O tempo médio de permanência na inadimplência também chama atenção. Em Goiás, consumidores levam cerca de 29 meses para regularizar a situação, evidenciando dificuldade prolongada para sair do vermelho.
Para o presidente da CDL Goiânia, Gustavo de Faria, o momento exige equilíbrio. Segundo ele, muitos consumidores querem quitar seus débitos, mas precisam de condições mais acessíveis. A renegociação, nesse contexto, aparece como ferramenta essencial para reorganizar as finanças e reaquecer o consumo.
Na avaliação do economista Luiz Carlos Ongaratto, o aumento da inadimplência não é um fenômeno isolado do estado, mas reflexo do ambiente econômico nacional. Ele destaca que o principal ponto não é apenas o número atual, mas a trajetória de crescimento dos indicadores.
Entre os fatores que contribuem para esse cenário estão os juros elevados, que encarecem o crédito e ampliam rapidamente dívidas em atraso, além da instabilidade na renda das famílias, causada pela rotatividade no mercado de trabalho.
O custo de vida também pesa. Despesas com moradia, energia e serviços têm aumentado nos últimos anos, reduzindo o poder de compra e dificultando o pagamento de contas básicas.
Outro aspecto relevante é o efeito acumulado de dívidas antigas, especialmente do período da pandemia, quando muitas famílias recorreram a empréstimos para manter o orçamento. Parte dessas obrigações ainda impacta a vida financeira atual.
Mesmo com o avanço, especialistas apontam que a situação de Goiás ainda não é considerada fora de controle, já que os índices permanecem abaixo da média nacional. Ainda assim, a recomendação é reforçar políticas de renegociação, com facilidades de pagamento, para ajudar consumidores a limpar o nome e retomar o acesso ao crédito.






