Da Redação

Nova edição de estudo sobre empreendedorismo feminino traz números atualizados e foco nas microempreendedoras individuais

O empreendedorismo feminino deixou de ser tendência para se consolidar como um fenômeno relevante no cenário econômico e social brasileiro. Em Goiás, esse protagonismo ganha contornos ainda mais expressivos. É o que aponta o novo estudo Perfil da Mulher Empreendedora, produzido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Goiás.

A publicação, lançada no dia 6 de março, funciona como um guia para instituições e para o poder público compreender melhor o cenário do empreendedorismo feminino no estado, identificando desafios, necessidades e oportunidades de qualificação. Nesta edição, o destaque é o aprofundamento da análise sobre as microempreendedoras individuais (MEI), consideradas uma importante porta de entrada para o universo dos pequenos negócios.

“A iniciativa do Sebrae Goiás é trazer essas informações para outros públicos, com o retrato socioeconômico das mulheres empreendedoras goianas. São dados e histórias que podem inspirar muitas outras mulheres a seguirem o caminho do empreendedorismo, tendo a oportunidade de conquistar autonomia financeira e realizar os próprios sonhos”, afirma Polyanna Marques Cardoso, analista da Unidade de Gestão Estratégica da instituição.

Retrato do empreendedorismo feminino em Goiás

Os dados do estudo indicam que 374 mil mulheres empreendem em Goiás, número que representa cerca de 12% da população feminina em idade de trabalhar. Entre os aproximadamente 1 milhão de pequenos negócios ativos no estado, 435 mil (44%) são liderados por mulheres.

O movimento reflete uma combinação de autonomia financeira, inovação e impacto social, fortalecendo o papel feminino como protagonista na economia goiana. O levantamento inaugura a Coleção Identidade, reunindo informações sobre perfil sociodemográfico, escolaridade, renda, áreas de atuação e recortes por raça e cor.

Segundo o estudo, as empreendedoras goianas têm idade média de 43 anos, sendo 53% negras. O nível de escolaridade também se destaca: 38% possuem ensino superior. Mesmo assim, a desigualdade de renda ainda é evidente. Em média, homens recebem 35% a mais por mês do que mulheres. Entre profissionais com ensino superior, essa diferença chega a 56%.

Apesar da disparidade, houve avanço na renda feminina. Em uma década, o rendimento médio das empreendedoras cresceu 44%, alcançando cerca de R$ 3.723 mensais.

Mudanças sociais e avanço da formalização

A pesquisa também revela transformações importantes no papel da mulher dentro da família. Mais da metade das empreendedoras (53%) são chefes de família, deixando para trás o papel tradicional de dependentes financeiras.

Outra realidade comum é a conciliação entre trabalho e tarefas domésticas. Cerca de 38% das mulheres empreendem dentro do próprio domicílio.

A formalização dos negócios também avançou. Em 2016, apenas 30% das empreendedoras estavam regularizadas. Em 2025, esse percentual chegou a 45%, o que impacta diretamente na renda. Segundo o levantamento, mulheres formalizadas ganham 1,5 vez mais do que aquelas que atuam na informalidade.

Setores e cidades com maior presença feminina

As mulheres são responsáveis por 41% das empresas criadas e 44% das empresas ativas em Goiás. Entre os modelos de negócio, predominam as microempreendedoras individuais (MEI), que representam 49% dos empreendimentos liderados por mulheres.

Os setores com maior participação feminina são:

  • Serviços – 55%
  • Comércio – 31%

Entre as atividades mais comuns estão serviços ligados ao cuidado pessoal, alimentação e confecção.

Quatro municípios concentram metade dos negócios femininos no estado:

  • Goiânia
  • Aparecida de Goiânia
  • Anápolis
  • Rio Verde

Mulheres MEI ganham destaque na nova edição

Nesta edição do estudo, o foco está nas mulheres microempreendedoras individuais, que representam quase metade dos negócios ativos no estado. Em Goiás, são 214.121 mulheres registradas como MEI, número que corresponde a 49% das empresas lideradas por mulheres.

A análise mostra que 60% desses negócios estão em fase inicial, com até 3,5 anos de atividade. Já 40% atingiram estágios mais maduros, sendo que 10% ultrapassaram 10 anos de existência.

Entre os setores mais presentes estão:

  • Serviços de beleza e estética
  • Comércio varejista de roupas e produtos diversos
  • Alimentação, como restaurantes e serviços de comida

Motivações e impacto na renda familiar

O estudo também revela as razões que levam essas mulheres a empreender. Para 41%, a decisão veio da vontade de abrir um negócio ou aproveitar uma oportunidade. Já 39% buscaram maior flexibilidade e autonomia profissional.

O impacto do empreendedorismo na vida familiar é significativo: para 76% das empreendedoras, o negócio é a principal fonte de renda da família.

A maioria trabalha em estabelecimentos fixos (38%) ou em casa (29%), conciliando as atividades empresariais com as responsabilidades domésticas.

Desafios financeiros e tecnológicos

Apesar da importância econômica, os desafios continuam presentes. Cerca de 78% das microempreendedoras relatam dificuldades financeiras. Desse total:

  • 46% enfrentam problemas para manter as contas em dia
  • 32% não conseguem pagar todas as despesas

Entre os principais obstáculos apontados estão:

  • Acesso ao crédito – 39%
  • Expansão dos negócios – 29%
  • Falta de conhecimento administrativo – 27%

No campo tecnológico, o uso de ferramentas digitais ainda é limitado. As plataformas mais utilizadas são:

  • WhatsApp Business – 57%
  • Instagram (versão empresarial) – 27%

Mesmo assim, 25% das empreendedoras ainda enfrentam exclusão digital, e 75% não utilizam inteligência artificial em seus negócios.

Entre os principais entraves para avançar na digitalização estão os custos elevados (34%) e a falta de conhecimento sobre vendas on-line (33%), indicando que a inovação ainda é um desafio para ampliar a competitividade das mulheres empreendedoras em Goiás.