Da Redação
Em Goiânia, um homem foi condenado a quatro anos e sete meses de prisão em regime fechado após um julgamento que expôs anos de violência doméstica e abusos sistemáticos contra a própria enteada. A decisão judicial foca na tentativa de interrupção forçada da gravidez da adolescente, crime ocorrido após quase uma década de abusos sexuais.
Um Ciclo de Abusos e Silêncio
A vítima vivia com o agressor desde os três anos de idade. No entanto, o ambiente familiar transformou-se em cenário de crime quando ela atingiu a adolescência. Durante oito anos, o homem utilizou a sua posição de autoridade e o medo para manter os abusos em segredo, afirmando que a revelação destruiria a família.
A situação agravou-se quando a jovem, então com 15 anos, descobriu estar grávida. A partir desse momento, o padrasto iniciou uma campanha de pressão psicológica e física para que ela abortasse, chegando a fornecer medicamentos e acompanhá-la em exames de ultrassom para verificar se o feto ainda tinha vida.
O Desfecho e a Paternidade Confirmada
O crime só veio à tona após uma das tentativas de aborto falhar. Mesmo sob ameaças e após ingerir substâncias abortivas que lhe causaram hemorragias, a jovem deu à luz um menino em 2020. Foi apenas três anos depois do nascimento da criança que a vítima conseguiu romper o silêncio e contar a verdade à mãe. Um teste de ADN confirmou que o agora condenado é o pai biológico do menino.
Decisão Judicial
O juiz Lourival Machado da Costa, que presidiu o caso, classificou o comportamento do réu como “socialmente deplorável”. Além da condenação recente pela tentativa de aborto, o homem já possuía uma sentença anterior pelos estupros cometidos entre 2014 e 2022.
A sentença determinou o cumprimento imediato da pena. Atualmente, a jovem e a sua mãe recebem apoio do Navita (Núcleo de Apoio às Vítimas), que oferece suporte jurídico e psicológico para ajudar na superação dos traumas acumulados ao longo de quase duas décadas de convivência com o agressor.






