Da Redação

O presidente Emmanuel Macron fez um pronunciamento nesta segunda-feira (2) em que revelou mudanças significativas na política de defesa de seu país, afirmando que a França aumentará o número de ogivas nucleares em seu arsenal estratégico e atualizará sua postura de dissuasão diante de um contexto internacional considerado “cada vez mais instável”. A fala foi proferida na base naval de submarinos nucleares de Île Longue, no noroeste da França, diante de instalações que simbolizam o poder atômico parisiense.

No discurso, Macron defendeu que a modernização das capacidades nucleares é necessária para proteger os interesses vitais do país e contribuir para a defesa do continente europeu, em meio a crises como a guerra na Ucrânia, tensões no Oriente Médio e dúvidas sobre o compromisso dos Estados Unidos com a segurança da Europa. O líder francês, sem divulgar números exatos, disse que ordenou o aumento das cabeças nucleares e afirmou que o país deixará de tornar públicas a quantidade de ogivas no futuro.

A estratégia apresentada inclui o fortalecimento de um modelo de “dissuasão avançada”, que prevê cooperação com aliados europeus — como Alemanha, Polônia, Reino Unido, Holanda, Bélgica, Grécia, Suécia e Dinamarca — por meio de exercícios conjuntos, coordenação estratégica e até a possibilidade de uso temporário de aeronaves nucleares francesas em países parceiros.

Macron reforçou que a decisão final sobre o uso de armas nucleares continuará exclusiva do presidente francês, mesmo com a maior integração europeia pretendida na defesa comum. Ele também enfatizou que este reposicionamento não se trata de uma corrida armamentista, mas sim de uma adaptação a “novos riscos”, como a ameaça representada pelo conflito na Ucrânia e a necessidade de responder às pressões geopolíticas atuais.

A França, única potência nuclear dentro da União Europeia, possui atualmente cerca de 290 ogivas — a maior parte delas desde a década de 1990 — e ocupa o quarto maior estoque atômico do mundo, atrás de Rússia, Estados Unidos e China. O anúncio marca o primeiro aumento nesse arsenal em décadas, numa sinalização forte sobre o papel de Paris na política de segurança global.