Da Redação

A Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira (4) mais uma etapa da Operação Compliance Zero com a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, fundador e ex-controlador do Banco Master, após investigadores encontrarem mensagens no celular do empresário que sugerem planos de intimidação e até violência contra um jornalista crítico às suas atividades. A decisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com o material levantado pela PF, mensagens trocadas em um grupo de WhatsApp ligado a Vorcaro, apelidado de “A Turma”, incluíam instruções para que intermediários atacassem um repórter. Em um dos diálogos, o ex-banqueiro teria afirmado que queria “mandar dar um pau nele e quebrar todos os dentes, num assalto”. O nome do profissional não foi revelado na decisão judicial.

A nova fase da operação, que já cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão entre São Paulo e Minas Gerais, também investiga supostas fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas. Vorcaro estava em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica desde fases anteriores da apuração.

Segundo as investigações, a estrutura de intimidação não se limitava apenas a jornalistas e teria incluído ex-empregados e concorrentes do grupo econômico ligado ao banqueiro. Integrantes do grupo também estariam envolvidos em acessos ilegais a bases de dados restritos e organização de ações para neutralizar críticas e obstruir a Justiça.

O ministro Mendonça determinou que o nome do jornalista permanecesse sob sigilo no processo, embora ele já tenha sido notificado sobre a existência das mensagens. Além da prisão de Vorcaro, a Justiça ordenou o bloqueio de bens e afastamento de pessoas ligadas à investigação, como parte das medidas para interromper supostas práticas ilícitas.

A Operação Compliance Zero prossegue com diligências em outras localidades e a apuração de possíveis envolvimentos de agentes públicos e empresários nos esquemas investigados.