Da Redação

Pesquisadoras do Instituto Butantan anunciaram o desenvolvimento de uma nova pomada cicatrizante experimental que pode revolucionar o tratamento de feridas na pele. A fórmula, ainda em fase de testes, foi criada a partir de uma substância obtida de um fungo encontrado no bioma da Caatinga, um dos ambientes mais ricos e ainda pouco explorados do Brasil.

Segundo os resultados preliminares dos estudos pré-clínicos, a aplicação tópica do produto acelera o processo natural de cicatrização e estimula a regeneração da pele lesionada sem deixar marcas visíveis ou queloides, algo que supera o desempenho de pomadas convencionais disponíveis no mercado.

A pesquisa começou em 2010, com a identificação e isolamento do fungo em amostras de vegetação da Caatinga. Inicialmente, os cientistas buscavam explorar atividades antibióticas e antitumorais do composto bioativo produzido pelo microrganismo — mas com o avanço dos estudos, observaram que a substância apresentava também alto potencial para promover a formação equilibrada de colágeno e regenerar tecidos.

O trabalho é coordenado pelo Laboratório de Desenvolvimento e Inovação (LDI) do instituto, em conjunto com a startup BiotechnoScience Farmacêutica, que está envolvida nas etapas finais de desenvolvimento e nos procedimentos regulatórios necessários junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os pesquisadores já solicitaram patente da tecnologia, e sua eventual comercialização prevê o pagamento de royalties ao Butantan. Além do impacto clínico, o projeto ressalta a importância da biodiversidade brasileira como uma fonte valiosa de compostos bioativos com aplicações médicas, além de destacar o papel de políticas públicas de apoio à ciência e tecnologia no país.

Ainda não há previsão para o lançamento oficial do produto no mercado, pois ele precisa passar por novas etapas de avaliação de segurança e eficácia antes de ser aprovado para uso mais amplo em seres humanos.