A REDAÇÃO

A disputa judicial entre Zé Felipe e Virginia Fonseca pode se tornar uma das mais expressivas do país em casos de dissolução conjugal. O cantor ingressou na Justiça com um pedido de auditoria dos bens constituídos durante o casamento e solicitou o bloqueio cautelar de R$ 100 milhões como garantia patrimonial. O processo tramita na 6ª Vara de Família de Goiânia e envolve, principalmente, a participação societária da influenciadora na empresa de cosméticos WePink.

Zé Felipe e Virginia Fonseca anunciaram a separação em maio de 2025, após cinco anos de relacionamento. Durante esse período, parte significativa do patrimônio do casal foi constituída, o que agora é objeto de discussão judicial. No pedido apresentado, o cantor aponta possíveis inconsistências ou omissões na composição patrimonial informada e busca esclarecer a real extensão dos bens adquiridos ao longo do matrimônio.

No centro da controvérsia está a WePink, empresa que registrou faturamento aproximado de R$ 1,4 bilhão em 2025. No mercado, companhias com desempenho semelhante podem alcançar avaliações equivalentes a até duas vezes o faturamento anual, o que projetaria um valor estimado próximo de R$ 3 bilhões. Virginia detém cerca de 33% das cotas da empresa, ao lado de outros sócios. Com base nessa estimativa de mercado, a participação da influenciadora poderia atingir aproximadamente R$ 1 bilhão.

O casal era casado sob o regime de comunhão parcial de bens e não firmou pacto antenupcial que excluísse participações societárias da partilha. Pela legislação brasileira, os bens adquiridos durante o casamento passam a integrar o patrimônio comum. Nesse cenário, Zé Felipe reivindica metade do valor correspondente às cotas obtidas por Virginia no período em que estavam casados.

Caso a avaliação da empresa seja confirmada judicialmente, o montante a que o cantor poderia ter direito, apenas em relação à participação na WePink, pode chegar a cerca de R$ 500 milhões. O bloqueio cautelar de R$ 100 milhões solicitado no processo tem o objetivo de assegurar eventual compensação financeira até a definição do valor definitivo a ser partilhado.

Nos bastidores, a complexidade patrimonial é apontada como um dos fatores que podem prolongar as negociações. Uma eventual solução poderá envolver a compensação por meio de outros ativos, como imóveis ou aeronaves, preservando a estrutura societária da empresa. Embora não exerça função administrativa na marca, Zé Felipe poderá ser reconhecido judicialmente como detentor do direito à metade do valor das cotas pertencentes à ex-esposa, além de eventual participação em lucros e dividendos distribuídos ou que deixaram de ser pagos desde 2021, conforme será apurado ao longo do processo.

Até o momento, não há decisão definitiva sobre o caso. A apuração judicial deverá considerar documentos contábeis, contratos societários e avaliações de mercado para definir o patrimônio efetivamente partilhável.