Da Redação
Uma proposta em tramitação no Senado Federal que prevê a proibição da publicidade de casas de apostas esportivas — conhecidas como “bets” — no Brasil vem gerando preocupação no futebol nacional por seu potencial impacto financeiro nos principais clubes do país.
Atualmente, cerca de 60% das equipes da Série A do Campeonato Brasileiro têm contratos de patrocínio com empresas de apostas, e a medida, caso avance, pode resultar em prejuízos estimados em R$ 842 milhões por ano apenas no faturamento desses clubes.
O que a proposta altera
O projeto de lei, já aprovado na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado, propõe alterações na atual legislação das apostas esportivas para vedar qualquer forma de publicidade das plataformas de apostas em meios de comunicação, eventos esportivos e contratos de patrocínio com clubes. O texto agora segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Se entrar em vigor, a restrição alcançaria anúncios na televisão, rádio, jornais, revistas, redes sociais e transmissões esportivas, além de impedir a exposição de marcas de betting em uniformes e estádios.
Repercussão no futebol
Grandes clubes como Flamengo, Fluminense, Corinthians, São Paulo, Palmeiras e outros citados na estimativa de impacto financeiro têm atualmente acordos de patrocínio com operadores de apostas, e essas receitas já estão incorporadas ao orçamento das equipes ao longo da temporada.
Representantes do setor — incluindo consultores e especialistas — argumentam que, em vez de banir totalmente a publicidade, o foco deveria estar no combate à propaganda abusiva e à atuação de empresas clandestinas, que operam fora de qualquer regulação e fiscalização.
Debate mais amplo
A discussão sobre a regulação das bets no Brasil envolve não só o impacto econômico para clubes e patrocinadores, mas também questões sociais ligadas à expansão do setor de apostas on-line, que já movimenta grandes somas no país e levanta debates sobre dependência, proteção ao consumidor e proteção de menores.






