Aos 31 anos, Benito Antonio Martínez Ocasio, o nome por trás do fenômeno Bad Bunny, chega ao país no auge. Ele foi atração no show do Super Bowl, além de ter vencido como Álbum do Ano no Grammy.

“Não sabia o que esperar, não sabia que teria tanta gente linda aqui”, disse o artista porto-riquenho que arrastou milhares de pessoas para o primeiro show em São Paulo. Bad Bunny estreou no Brasil nesta sexta-feira (20) com um show muito elogiado pelo público no Allianz Parque, zona oeste de São Paulo.

A fala, em espanhol, foi logo no começo do show, antes de um dos músicos tocar uma versão instrumental de “Garota de Ipanema”. Na terceira faixa, Bad Bunny parou para agradecer os fãs, em português. Ele disse que pôde realizar o sonho de visitar o Brasil. Além de arriscar nas palavras, em certo momento também vestiu a camisa do Brasil, ou melhor: o uniforme completo.

Aos 31 anos, Benito Antonio Martínez Ocasio, o nome por trás do fenômeno Bad Bunny, chega ao país no auge. Depois de cantar no Super Bowl, durante o intervalo do principal evento da liga de futebol norte-americano, e vencer o Grammy de Álbum do Ano, ele desembarca em São Paulo como um dos artistas mais ouvidos do planeta: foi líder global do Spotify por quatro anos consecutivos e retomou ao topo em 2025.

Com a latinidade em alta, Bad Bunny usa do lado unificado da América para ter um forte posicionamento político sobre temas sociais e migratórios. Ele já criticou, direta e indiretamente, as políticas anti-imigração dos Estados Unidos durante o governo Donald Trump, o que gerou atritos com setores conservadores e com o próprio presidente, que disse ter detestado a apresentação de Benito no Super Bowl.

Apesar de ser conhecido pelas falas politizadas, no show desta sexta-feira, a política ficou para os versos das canções. 

“Este show se trata da união do Brasil com Porto Rico e a América Latina”, afirmou antes de entoar mais um hit e convidar todos a dançarem, rirem e se divertirem. “Hoje nós somos brasileiros e vocês são porto-riquenhos”. 

Ao anunciar a turnê de Debí Tirar Más Fotos (DtMF), Bad Bunny deixou os Estados Unidos de fora, o que foi interpretado como boicote ao país. No entanto, ele explicou que evitou os concertos por preocupação com a segurança de fãs latinos, alvos fáceis para os agentes de imigração do ICE, a polícia migratória de Trump.

A porto-riquenha Juanda, que mora em Nova York e viajou a São Paulo para acompanhar Bad Bunny, concorda com o conterrâneo em não fazer shows nos Estados Unidos por causa da repressão aos imigrantes praticada pelo ICE.

“Ele é muito bom e eu o apoio 100% porque ele está apoiando as pessoas imigrantes. Ele fala por todo mundo e ele tem muito poder em sua voz. Eu sei que vai alcançar um objetivo”, declarou a porto-riquenha. J

Juanda não conseguiu garantir ingressos para a residência na terra natal e com a ausência de shows onde mora optou por curtir o artista no Brasil com as amigas.

“Ai, vim ver ‘mi papi’, o Bad Bunny”, contou Caridad, da República Dominicana. “O Brasil é um sonho para mim. Desde criança eu sempre via o Carnaval e sempre sonhei um dia vir ao Brasil. Quem melhor que o Bad Bunny para me trazer? E aqui estou”.

E por falar em carnaval, muitos “gringos” resolveram unir a paixão pelo artista e a festa popular mais famosa do país. Caso da porto-riquenha Marcela: “Quando vamos ter Carnaval e Bad Bunny na mesma semana? Isso é algo especial, individual, único. Quase como ganhar na loteria”.

Marcaram presença peruanos, chilenos, venezuelanos, colombianos e muitos outros “irmãos” latino-americanos. Mas também brasileiros, que aguardaram por muito tempo a vinda de Benito, como o cantor soteropolitano Odillon Cerqueira. 

“É surreal o nível do tamanho da produção e da entrega desse show. Eu acompanho o Bad Bunny há muitos anos e como fã poder presenciar e ser testemunha de tudo que está acontecendo, não só hoje, mas na carreira dele… Ele ganhou o Grammy de álbum do ano, no Grammy Latino, no Grammy norte-americano, se apresentou no Super Bowl… E ser fã do Bad Bunny esse mês é algo muito feliz, porque hoje a gente está aqui no primeiro show dele no Brasil. Eu chorei muito, muitas vezes. Eu também sou artista, também sou cantor e ele é uma grande inspiração para mim. E poder estar aqui pertinho do palco, eu vim de Salvador, passei o ano inteiro ansioso para estar aqui, estou na casa de uns amigos e estamos aqui extasiados, completamente encantados, o show foi incrível”.

A apresentação foi dividida em atos bem marcados, com uma estrutura que tinha um mega telão no palco principal e uma “casita”, que representa as casas de Porto Rico, no outro extremo do estádio. Juntos os palcos deram a sensação de um grande baile inesquecível, ou “inolvidable”. No início da segunda parte do show, na “casita”, quem não estava na grade precisou assistir ao espetáculo de “perreo” e rebolados pelo telão. Sem prejuízos.

A união do reggaeton com o trap conquistou os brasileiros. Bad Bunny reserva uma faixa do setlist para ser exclusiva em cada show. Em São Paulo, não houve um convidado especial, e a música escolhida foi “Vete”.

Desde cedo na sexta-feira, fãs já se aglomeravam no entorno do Allianz Parque para o primeiro show de Bad Bunny em São Paulo. Os portões foram abertos por volta das 16h e o show começou pontualmente às 20h30, encerrando 5 minutos antes das 23h, respeitando as restrições de horário da arena. No show deste sábado (21), o horário de início também foi antecipado para 20h30. Os portões abrem às 16h.

Fonte: CNN Brasil