BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) – A sessão que aprovou a reforma trabalhista de Javier Milei na Câmara de Deputados da Argentina já estava tensa, mas uma cena incomum viralizou nas redes sociais.

No momento em que os blocos discutiam como se daria o procedimento de votação do texto, a deputada peronista Florencia Carignano foi flagrada desconectando os fios do sistema de áudio na mesa dos taquígrafos (que fazem a transcrição das falas) na Câmara de Deputados.

A sessão começou às 14h de quinta-feira (19) e durou mais de 11 horas, em um clima tenso dentro e fora do Congresso. A votação foi concluída apenas na madrugada desta sexta-feira (20).

Do lado de fora, manifestantes foram reprimidos pelas forças de segurança e uma greve geral parou metrôs, trens e ônibus e cancelou voos.

Dentro do plenário, durante a preparação para a votação da reforma trabalhista, legisladores do bloco União pela Pátria (peronistas) mostraram sua insatisfação, discutindo com colegas mileístas e criticando o presidente da Câmara, Martín Menem, por tentar reduzir o tempo de discussão do tema.

Quando Menem deu a palavra ao deputado Carlos Zapata, um grupo de deputados, incluindo Julia Strada e Agustín Rossi, aproximou-se do púlpito presidencial para protestar contra ele.

Em um momento tenso, Carignano foi filmada pela deputada mileísta Lilia Lemoine desconectando cabos do equipamento, o que interrompeu a sessão.

Lemoine, questionou Carignano enquanto a filmava, perguntando: “Está louca?” E ela respondeu com um insulto. A ultraliberal, então, divulgou o vídeo em suas redes sociais, rapidamente fazendo com que a cena viralizasse.

Na Câmara, a proposta foi aprovada por 135 votos e rejeitada por 115. O projeto volta ao Senado por causa da remoção de um artigo que diminui a remuneração durante licenças médicas.

Com mais de 200 artigos, ele traz mudanças importantes, como a redução de indenizações por demissão, a divisão das férias e o aumento da jornada de trabalho.

A oposição, incluindo kirchneristas e sindicatos, critica a reforma como “regressiva” e “anticonstitucional”. O governo defende que a reforma pode reduzir a informalidade e criar empregos.

PRINCIPAIS MUDANÇAS DA REFORMA DE MILEI

COMO É – COMO PODE FICAR

– Até 8 horas por dia e 48 horas semanais – Até 12 horas por dia com 12 horas de descanso

– No mínimo, de 14 dias seguidos – Podem ser divididas em períodos de, no mínimo, sete dias

– Indenização por um ano, incluindo 13º e bônus – Benefício sem 13º ou bônus

– Serviços mínimos em atividades essenciais – Mais serviços são considerados essenciais e devem ter 75% de operação

– Pagamento de horas extras – Hora extra pode ser compensada com folgas ou redução de jornada

– Seguem vigentes, mesmo depois de vencidos – Perdem a validade, a não ser as normas sobre condições de trabalho

_Fontes: Projeto de reforma trabalhista e Chequeado_