RECIFE, PE (FOLHAPRESS) – Uma operação da Polícia Civil do Amazonas é realizada nesta sexta-feira (20) com objetivo de desarticular um suposto “núcleo político” do CV (Comando Vermelho) no estado. Segundo a investigação, a facção teria adquirido acesso local aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário com atuação estruturada e ramificações em outras unidades da federação.

A ação policial cumpre 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão no Amazonas e em outros seis estados. As ordens são cumpridas em Manaus e nas cidades de Belém e Ananindeua (PA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Teresina (PI) e Estreito (MA).

Até a última atualização no fim da manhã, 14 pessoas tinham sido presas, sendo oito no Amazonas e seis nos outros estados.

A apuração objetiva desarticular um esquema de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional, segundo a polícia. Entre os alvos estão uma ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, uma policial, um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas e ex-assessores de vereadores. Os nomes dos suspeitos ainda não foram divulgados.

As apurações começaram após a apreensão de mais de 500 tabletes de maconha do tipo skunk, sete fuzis de uso restrito, duas embarcações usadas no transporte da droga, um veículo utilitário e aparelhos celulares. Um dos envolvidos foi preso em flagrante na ocasião.

Segundo o delegado Marcelo Martins, relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) identificaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada de servidores públicos investigados.

Ele afirmou que parte desses agentes teria colaborado com o grupo, inclusive com fornecimento de informações sigilosas e apoio à atuação da organização dentro da administração pública.

Martins disse que o grupo utilizava empresas registradas no setor de logística para movimentar recursos e dar aparência de legalidade ao transporte de drogas.

“Essas empresas eram usadas para mimetizar uma espécie de transporte legítimo, mas, na verdade, estavam transportando drogas para várias unidades da federação”, disse em entrevista coletiva.

De acordo com o delegado, as drogas eram adquiridas em Tabatinga (AM) e distribuídas para outros Estados. A investigação aponta que, nos últimos quatro anos, o esquema teria movimentado cerca de R$ 70 milhões, com base em dados financeiros analisados no inquérito.

Segundo Martins, as empresas apontadas como de fachada atuavam formalmente no setor de logística. A investigação concluiu que elas não apresentavam movimentações compatíveis com a atividade declarada, mantendo transações financeiras principalmente com investigados por tráfico e com servidores públicos.

Martins afirmou que o apontado como líder da organização não foi localizado, já que fugiu por volta das 3h do local onde estava em São Paulo. A esposa dele foi presa durante a operação.