SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Arquivos do Departamento de Justiça dos EUA revelam que o bilionário Jeffrey Epstein mantinha em seu viveiro plantas de onde se extrai a escopolamina, substância que anula o livre-arbítrio das vítimas.

Epstein perguntou a uma assessora sobre suas “trumpet plants” (flores em forma de trombetas) em 2014. Em email enviado a Ann Rodriguez, ele questionou o estado do cultivo em seu berçário, segundo documentos obtidos pelo jornal britânico The Sun.

O bilionário recebeu um link detalhando como a toxina elimina a vontade de viver. O fotógrafo Antoine Verglas encaminhou a Epstein uma reportagem que descrevia a toxina como capaz de “apagar a memória” e tornar pessoas “completamente submissas”.

Artigo sobre a droga foi enviado com trechos específicos já grifados. Segundo o portal Metro, o email encaminhado destacava frases como “você pode guiá-los como se fossem crianças” e “elimina o livre-arbítrio”.

Conhecida como “trombeta de anjo”, a flor do gênero Brugmansia é a base do entorpecente “Devil’s Breath” (sopro do diabo). A planta produz a escopolamina, substância usada por criminosos para facilitar roubos e abusos sexuais por ser virtualmente indetectável em exames padrão.

A droga bloqueia a formação de memórias no sistema nervoso. Conhecida na Colômbia como burundanga, ela impede que as vítimas relatem o ocorrido após o efeito passar, agindo como um agente de dissociação profunda.

COMO A DROGA AGE NO ORGANISMO

A escopolamina bloqueia receptores de acetilcolina e causa um estado de submissão. Em doses elevadas, a vítima entra em um transe em que obedece a ordens sem resistência, assemelhando-se ao comportamento de uma criança, conforme detalhado pelo portal Metro.

Os efeitos colaterais incluem paralisia, alucinações e risco de morte. O uso é considerado aterrorizante por especialistas devido à perda total de controle motor e mental durante a exposição.

Historicamente, a planta era usada em rituais fúnebres para enterrar acompanhantes vivas. Relatos indicam que, na antiga Colômbia, mulheres de líderes mortos eram drogadas para que entrassem voluntariamente nas covas.

Relatos nos arquivos descrevem vítimas entregando todos os bens sem resistência. Uma mulher sob efeito da droga relatou ter levado um estranho até sua casa e o ajudado a recolher câmeras e economias de seu namorado.

O QUE DIZEM AS AUTORIDADES

A liberação dos documentos gera pressão por novas investigações contra aliados de Epstein. Segundo a rede TRT World, os arquivos somam mais de 3,5 milhões de páginas sob análise das autoridades norte-americanas.

O ex-premiê britânico Gordon Brown pediu auditoria sobre voos do bilionário. Dados indicam que o jato de Epstein fez 90 pousos no Reino Unido, inclusive 15 após sua condenação por crimes sexuais em 2008.

Ghislaine Maxwell, cúmplice de Epstein, recusou-se a responder perguntas sobre o caso. Condenada a 20 anos de prisão, ela invocou a Quinta Emenda perante o Congresso dos EUA, mas sinalizou possível colaboração futura.