SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Após um protesto que terminou com 10 pessoas presas, a Câmara dos Deputados da Argentina aprovou hoje de madrugada a reforma trabalhista defendida pelo governo de Javier Milei.

Proposta teve 135 votos favoráveis e 115 contrários. O projeto já havia sido aprovado no Senado, com modificações, o que levou a Confederação Argentina de Trabalhadores a convocar uma greve geral contra a medida. Após a aprovação na Câmara, o texto retornará ao Senado.

Milei enfrenta a quarta greve geral em dois anos de governo. A reforma, qualificada de “regressiva e inconstitucional” pela central sindical, reduz as indenizações, estende a jornada de trabalho para 12 horas e limita o direito de greve.

Governo afirma que a reforma ajudará a reduzir a informalidade, que atinge mais de 40% do mercado de trabalho. Ele também argumenta que a reforma deve criar empregos graças a uma menor carga tributária sobre os empregadores.

A greve de 24 horas, iniciada à meia-noite do dia anterior, foi acatada pela maioria dos sindicatos. As poucas linhas de ônibus que desconsideraram a convocação circulavam quase vazias nas principais avenidas da capital argentina, constatou a agência de notícias AFP. O trânsito de automóveis particulares estava incomumente intenso.

Redes de supermercados, farmácias e comércios mantiveram as portas fechadas. Nas grandes estações de trem e nos principais pontos de transporte coletivo não se via o habitual vai e vem de pessoas indo para o trabalho.

Em dois anos de governo Milei, foram fechados 120 mil postos de trabalho em empresas privadas, cerca de 80 mil em órgãos públicos e ainda 25 mil em casas particulares, segundo a Confederação. “Os graves problemas de pobreza, desemprego, precarização e deterioração da situação social não são derivados das leis que regem o universo laboral, mas são consequências diretas da falta de crescimento e de inversão produtiva nas políticas econômicas (macro e micro) nacionais levadas adiante”, pontua a Confederação.

Manifestantes protestaram contra a reforma trabalhista enquanto a Câmara realizava a votação. Pelo menos dez pessoas foram presas em Buenos Aires, segundo informações divulgadas pela imprensa local. A sessão durou mais de dez horas, avançando até a madrugada desta sexta-feira (20).

Policiais avançaram contra manifestantes que derrubaram parte de grade metálica. A barreira separava a Praça do Congresso do Palácio Legislativo, onde ocorre o debate sobre o projeto de reforma de desregulamentação trabalhista.

Distúrbios começaram por volta das 18h desta quinta-feira (19). A maioria dos manifestantes já havia se retirado do local quando garrafas e pedras foram lançadas contra o cordão policial, situado atrás da grade. As forças de segurança avançaram com motos, a pé e com cães. Balas de borracha, gás lacrimogêneo e jatos d’água também foram utilizados pelos agentes.

Imprensa fala em pelo menos dez pessoas detidas. Segundo o site Clarín, quatro delas foram presas pela Polícia Federal durante os incidentes. A Polícia da Cidade deteve outros três homens. Cinco pessoas também foram presas suspeitas de roubo.