SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, anunciou que deixará o cargo e lançou pré-candidatura ao legislativo estadual nas eleições deste ano.

Ulisses deixará o comando da polícia a partir do dia 1º de março. O comunicado foi feito pelo próprio delegado-geral, que justificou a saída do cargo para se dedicar à campanha eleitoral para deputado estadual pelo PL.

Delegado-geral é aliado do governador Jorginho Mello (PL), que tentará a reeleição. Ulisses foi conduzido ao posto de chefe da Polícia Civil catarinense em 2023, após Jorginho assumir o poder executivo do estado.

Em comunicado, Ulisses afirmou que a decisão de trocar o cargo pela política é uma “nova missão”. “Depois de 22 anos como servidor de carreira, 19 anos como delegado de polícia e três anos como delegado-geral, vou me dedicar a uma nova empreitada”, escreveu.

Ulisses já disputou uma vaga na Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina) em 2018. Naquela ocasião, ele obteve 28.183 votos, não conseguiu se eleger, mas ficou como segundo suplente.

Como suplente, Ulisses atuou por 45 dias na Alesc. Ele ocupou a vaga do deputado Milton Hobus, que ficou de licença do cargo.

O UOL entrou em contato com o PL para confirmar a pré-candidatura de Ulisses e aguarda retorno. Em caso de resposta, esta matéria será atualizada.

CASO ORELHA

Como chefe da PCSC, Ulisses atuou em casos de repercussão nacional. O mais recente deles foi a investigação sobre a morte do cão Orelha, que foi espancado em janeiro deste ano em Florianópolis.

Ulisses atuou publicamente no caso, com diversas postagens nas redes sobre o tema. O delegado-geral, inclusive, anunciou que adotou o cão Caramelo, que também teria sido agredido no mesmo episódio de violência ao Orelha.

Delegado-geral é alvo de procedimento para apurar conduta no caso Orelha. O procedimento preparatório foi aberto pela 40ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital, que atua no controle externo da atividade policial.

Prazo de conclusão da apuração é de 90 dias. A investigação serve para “apurar indícios de irregularidades, por meio de busca de informações, coleta de dados, requisição de documentos, perícias e depoimentos”, segundo o MP.

MP-SC abriu o procedimento após receber “diversas” representações contra a conduta de Ulisses no caso Orelha. O número exato de representações não foi divulgado pelo órgão.

Ulisses afirmou “estar tranquilo” em relação ao procedimento instaurado. O delegado-geral chegou a alegar que a promotoria pode ter instaurado a investigação a partir de representações “apresentadas por movimentos políticos e motivações escusas ideológicas”.

Se comprovado o indício de irregularidade, o promotor de justiça instaura um inquérito civil. Caso considere que as provas são suficientes, o MP pode adotar medidas cabíveis, como propor um TAC (termo de ajustamento de conduta) ou a abrir uma ação civil pública. Na ausência de provas, o caso é arquivado.