PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) – O Jardim Zoológico de Sapucaia do Sul, o maior do Rio Grande do Sul, recebeu novos moradores na última semana: 35 axolotes, espécie de anfíbio oriunda do México, que foram apreendidos em um restaurante de Porto Alegre durante uma operação contra o tráfico de animais.
É a primeira vez que o zoológico recebe a espécie, que está ameaçada de extinção e cuja comercialização é considerada crime no Brasil.
Os animais chegaram ao local de exposição depois de meses de quarentena e adaptação, realizadas no Jardim Botânico de Porto Alegre e no próprio zoológico, que fica na região metropolitana.
Segundo a administração, foi preciso fazer adaptações em aquários e em outras estruturas para abrigar os axolotes –o “x” é pronunciado como “cs”.
Entre as mudanças estão a manutenção da temperatura da sala em 24 °C e a instalação de um sistema de aeração constante nos aquários, conectado a filtro de espuma.
A secretaria informa que a água é tratada para remoção de cloro e trocada parcialmente uma vez por semana. Já a alimentação dos animais é feita de três a quatro vezes por semana.
O zoológico, que pertence ao governo estadual, instalou placas de identificação e pretende usar os novos moradores para conscientizar o público sobre os riscos do tráfico de animais.
Eles foram apreendidos em julho de 2025, durante a Operação Rota Aquática, realizada pela Sema (Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura) em conjunto com a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente. Ao todo, 74 axolotes eram mantidos ilegalmente em quatro aquários em um restaurante de comida japonesa.
Segundo o delegado Gustavo Brentano, titular da Dema, alguns animais ficavam expostos nos aquários do estabelecimento. O caso chegou às autoridades por meio de uma denúncia anônima.
A polícia suspeita que os axolotes estavam sendo reproduzidos no local para fins de comercialização, devido à infraestrutura desenvolvida na casa do suspeito, adjacente ao restaurante. Os animais não eram utilizados para consumo.
Também foram apreendidos uma pistola Glock, uma espingarda calibre 12, munições, 1,2 kg de maconha, uma balança de precisão e embalagens que a polícia suspeita terem sido usadas para acondicionar drogas.
Segundo a polícia, não foi possível apurar a origem dos animais nem identificar potenciais compradores.
Duas pessoas foram indiciadas por tráfico e posse de arma de fogo, incluindo o proprietário do restaurante, que também responde por receptação de animais. A reportagem não localizou as defesas dos suspeitos.
“Como a gente não tem a informação de que foi ele que trouxe, ele responde pela receptação, porque ele recebeu ou adquiriu esse animal que era objeto de um crime, que é a introdução no país”, explicou Brentano.
Os outros 39 animais foram encaminhados para instituições de pesquisa ligadas à Secretaria do Meio Ambiente.
Os axolotes são semelhantes a salamandras e podem ter até 30 cm de comprimento. Eles têm brânquias externas e vivem exclusivamente em água doce. A alimentação é baseada em peixes, larvas, entre outros pequenos animais e microrganismos.
Os animais possuem diferenças de tamanhos e pigmentações. Segundo a Sema, os axolotes apreendidos, como no caso de Porto Alegre, passaram por cruzamentos entre diferentes linhagens.
A capacidade de autorregeneração dos axolotes, que inclui a recuperação de membros, como a cauda, e de tecidos internos, é estudada por cientistas.
A espécie se popularizou nas redes sociais nos últimos anos por ser um dos animais que interagem com os jogadores no jogo online Minecraft e por ser inspiração para personagens na franquia Pokémon.



