SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – As ações da Azul caíram 36,27% nesta quinta-feira (19) após a companhia aprovar uma emissão bilionária de novos papéis para financiar sua recuperação judicial nos Estados Unidos. No pior momento do pregão, a queda chegou a 49,99%.

Ao fim do dia, os papéis eram negociados a R$ 162,50. As novas ações começam a ser negociadas na Bolsa na segunda-feira (23).

A operação, aprovada pelo conselho de administração, resultou na emissão de 45,48 trilhões de novas ações ordinárias, ao preço unitário de R$ 0,0001096566, totalizando R$ 4,99 bilhões.

A oferta ocorre no contexto da reestruturação da empresa sob o Chapter 11 da legislação americana de falências. Os recursos serão utilizados para quitar o principal do financiamento DIP (debtor-in-possession), modalidade de crédito concedida a empresas no processo de recuperação judicial.

Com o aumento de capital, o capital social da Azul passou a R$ 21,76 bilhões, dividido em 54,73 trilhões de ações.

Segundo analistas, a forte queda das ações reflete principalmente a diluição provocada pela emissão em larga escala.

“Cada vez que a empresa emite mais ações no mercado, ela pega o capital social dela e fraciona ainda mais entre aquelas pessoas que já são acionistas. Isso é um veneno para a empresa, é um desastre do ponto de vista dos investidores. E nós estamos falando da expansão de trilhões de ações”, diz Felipe Sant’Anna, especialista em Mercado Financeiro do grupo Axia Investing.

Sant’Anna diz, porém, que, se a Azul não fizesse a emissão de novas ações, a situação poderia ser ainda pior.

“[Com a emissão] a empresa consegue manter as operações e os credores trocam dívidas por participação na empresa. Onde isso vai levar não faço a menor ideia, porque a gente tem que ver por quanto tempo se sustenta uma operação como essa. Não adianta a empresa ficar emitindo papel, porque os próprios investidores não vão ter mais interesse em comprar”, diz.

Para Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos, a queda nas ações da Azul está mais ligada à estrutura do capital do que ao desempenho operacional (demanda por voo, receita e afins) da companhia.

“Essa queda expressiva de hoje reflete a percepção da diluição massiva que aconteceu e a transformação da ação em um típico equity [ativo] de reestruturação, no qual a empresa pode até sobreviver e ficar forte financeiramente, mas o acionista minoritário, com valor de ação significativamente muito menor, não vai colher esses frutos”, diz Cecco.

A Azul anunciou em 28 de maio de 2025 a entrada no Chapter 11 nos Estados Unidos, numa tentativa de reorganizar suas dívidas. Depois de Latam e Gol, a empresa foi a última das principais companhias aéreas brasileiras a aderir ao processo.

A companhia prevê o fim do processo de recuperação judicial no começo de 2026.