SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Motociclistas e pedestres foram responsáveis por quase 90% das mortes no trânsito na cidade de São Paulo em janeiro.

De um total de 65 óbitos no mês no município, 57 estavam em acidentes com motocicletas (30 vítimas) ou foram atropelados (27). Os números de motociclistas e pedestres mortos em 2026 são os mesmos de janeiro de 2025.

No geral, as mortes no trânsito recuaram tanto na capital paulista quanto no estado na comparação entre os meses de janeiro dos dois anos —as quedas foram 4,4% e 11,2%, respectivamente.

Os óbitos de motociclistas ou atropelados também são maioria nas estatísticas de todo o estado, com 66,5% do total.

Os dados, publicados na tarde desta quinta-feira (19), são do Infosiga (sistema estadual de monitoramento de letalidade no trânsito).

Em um dos casos, um motorista embriagado atropelou três pessoas na porta de um bar na madrugada do dia 19, na Vila Jacuí, na zona leste paulistana. Uma das vítimas morreu. O condutor foi preso em flagrante após teste do bafômetro apontar que ele dirigia sob efeito de álcool.

Na cidade de São Paulo, nos últimos 12 meses, o total de mortes é o menor desde fevereiro de 2024, quando houve 67 registros.

Para reduzir as estatísticas, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), da Prefeitura de São Paulo, afirma desenvolver ações em múltiplas frentes na operação do sistema viário, com planejamento e execução de projetos voltados à segurança.

Dentre as medidas adotadas, diz a gestão Ricardo Nunes (MDB), se destacam as áreas calmas com limite de 30 km/h, rotas escolares seguras, redução de velocidade, aumento do tempo de travessia, ampliação das faixas de pedestres, das travessias elevadas e minirrotatórias.

“O Plano de Metas Municipal prevê ainda a implantação de tempo integral nas passagens de pedestres semaforizadas em vias com canteiro central e as frentes seguras [boxes de motos na espera do semáforo veicular], que aumentam a segurança e a visibilidade entre pedestres e veículos”, diz a gestão Nunes.

Mas os casos de atropelamentos chamam a atenção. Segundo o próprio Infosiga, a quantidade de mortes de pedestres na cidade de São Paulo em 2025 foi a maior em uma década.

Como mostrou a Folha, a partir de levantamento realizado pelo Detran-SP (Departamento de Trânsito de São Paulo), mortes de pedestres atropelados por motocicletas registram seguidas altas nos últimos anos, ao contrário do que ocorre com outros veículos responsáveis pelos acidentes.

Para Ana Carolina Nunes, diretora do Cidadeapé, Associação pela Mobilidade a Pé, a cidade de São Paulo é orientada para favorecer o fluxo de carros e o pedestre é visto como obstáculo.

“O tempo dos semáforos é pensado para dar fluxo aos carros e não às pessoas [que precisam atravessar a rua]”, afirma ela, apesar de a prefeitura dizer que há aumento no tempo de travessia.

Sem temporizador para indicar o quanto falta para a abertura do semáforo, e com a demora, diz, a pessoa perde a paciência e atravessa no sinal vermelho. “Nunca se dá prioridade ao pedestre, o que é contra o Código Brasileiro de Trânsito.”

Para ela, o município precisa investir em equipamentos que flagrem motoristas e motociclistas que não respeitam os semáforos e na criação de mais áreas calmas, estreitamento de ruas e alargamento das calçadas, além da ampliação de esquinas para reduzir a velocidade nas conversões.

A administração municipal lista outras ações para reduzir a violência no trânsito, como o Programa Operacional de Segurança para locais com maior índice de acidentes e a faixa azul, para circulação de motos. “Estudos da CET apontam redução média de 20% nos sinistros com feridos envolvendo motocicletas [nas vias com a sinalização no asfalto].”

Atualmente são 233,3 km de faixa azul em 46 vias. A meta é chegar a 400 km até 2028. A CET diz fiscalizar a velocidade nesses trechos.

Questionado sobre ações no estado, o Detran-SP diz ter reforçado o enfrentamento à alcoolemia ao registrar aumento de 155% no número de operações realizadas em janeiro de 2026, na comparação com o mesmo mês de 2025.

Paralelamente, o órgão de trânsito afirma ter realizado cerca de 3.000 ações educativas, que alcançaram 800 mil pessoas.

“O governo de São Paulo fortalece também a segurança viária com foco na redução de mortes no trânsito, por meio de ações integradas de gestão de velocidade, fiscalização e promoção de vias mais seguras”, diz trecho da nota.