SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Indícios encontrados no aparelho celular de Igor Jesus Matos, 29, levaram a Justiça de São Paulo a decretar sua prisão temporária a pedido da Polícia Civil. Ele foi detido nesta quinta-feira (19) e é suspeito de participar do furto a uma joalheria na zona sul da capital paulista que gerou ao estabelecimento prejuízo superior a R$ 1 milhão. O caso aconteceu na madrugada de segunda-feira (16).

Procurada no início da tarde desta quinta-feira por mensagem, a advogada que o defende não se pronunciou até a publicação deste texto.

Matos entrou na mira das autoridades após estacionar seu veículo em região próxima àquela onde os veículos usados pelos criminosos foram abandonados, segundo as investigações. Os veículos foram deixados perto da casa de um outro suspeito de participar do crime.

A decisão que decretou a prisão temporária de Matos tem validade de cinco dias e pode ser prorrogada por igual período.

O despacho afirma que ele, “de forma dissimulada, passou a filmar a equipe policial e a enviar mensagens de áudio a um interlocutor não identificado”.

Nos áudios, ainda de acordo com a decisão, ele “sugeria que ‘o trampo moiô”. A expressão, segundo as investigações, “que claramente indicava ciência da operação policial em andamento e comunicação com demais integrantes da associação criminosa”.

Matos foi abordado e negou envolvimento no caso, segundo a polícia.

Além dos áudios e filmagens da operação daquele dia, a polícia também encontrou em seu aparelho celular um vídeo da garagem do edifício onde a joalheria está situada.

A gravação havia sido feita três dias antes do furto, em 13 de fevereiro, e trata-se, segundo a decisão, “de circunstância altamente incriminadora”, para a qual Matos “não ofereceu qualquer explicação razoável”.

Para a Polícia Civil, isso denota que Matos “foi potencialmente um dos executores do delito em apreço”.

Outras sete pessoas são suspeitas de participar do crime, de acordo com as investigações. Uma delas, uma mulher, foi presa por porte ilegal de arma de fogo e receptação. A SSP (Secretaria de Segurança Pública) disse que ainda apura a participação dela no caso.

A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o furto “demandou organização e divisão de tarefas que perdurou por relevante período, apto a indicar estabilidade e possibilidade de novos crimes”.

O porteiro do edifício alvo dos criminosos chegou a ser coagido. A polícia disse que não pediu sua prisão porque ele colabora com as investigações.

O caso ocorreu na alameda Maracatins. A Polícia Militar foi acionada após o proprietário encontrar o local totalmente revirado e danificado.

A SSP declarou que diligências continuam e que a pasta “atua para o total esclarecimento dos fatos”.

No dia do crime, os suspeitos arrancaram as câmeras de vigilância e removeram a fiação do sistema de monitoramento. Além das joias, foram levados um faqueiro de prata, travessas e pratos de alto valor.