SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em entrevista ao jornal espanhol El País, Wagner Moura falou sobre a detenção de imigrantes nos Estados Unidos pelo Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira do país, o ICE. O brasileiro, que concorre ao Oscar de melhor ator por sua performance em “O Agente Secreto”, disse ter receio de como reagiria caso se deparasse com os agentes.

“Estamos atravessando um momento muito feio. Até eu tenho medo de me deparar com o ICE. Digo isso porque reajo de maneira explosiva quando vejo uma situação de injustiça ou de autoritarismo diante dos meus olhos. E agora não sei se conseguiria fazer isso, porque esses caras podem te matar, como vimos”, disse Moura, referindo-se a morte de duas pessoas que protestaram contra o ICE.

O ator ainda comparou a situação com a realidade do Brasil. “É curioso como se repetem os mesmos padrões que ocorreram no Brasil. Por exemplo, demonizar os atores, os artistas, os jornalistas e as universidades. A extrema direita no Brasil foi muito eficaz em transformar, diante das pessoas, os artistas brasileiros em inimigos do povo. Com um discurso com mensagens como a de que essa gente vive do dinheiro público. Ou como conseguiram fazer com que a verdade desaparecesse”, disse.

Segundo Moura, os progressistas perderam espaço nas redes sociais. “Há cerca de dez anos, no Brasil, fomos muito ingênuos. Pensávamos que o Facebook podia ser uma ferramenta de conexão, de mobilização das pessoas e de democratização da informação. Hoje é evidente a união entre os oligarcas da tecnologia e a extrema direita.”