SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Nos últimos dois meses, a divulgação dos arquivos das investigações do caso Jeffrey Epstein teve repercussão na política, no meio acadêmico e no mundo dos negócios de diversos países. Embora os laços do criminoso sexual com figuras poderosas já fossem conhecidos, os três milhões de páginas de documentos detalham esses vínculos.

Em alguns casos, os arquivos revelam que a relação entre Esptein e políticos de diferentes ideologias se manteve após a condenação. Em outros, as páginas mostram transações econômicas suspeitas e compartilhamento de informações confidenciais.

A mera menção nos arquivos, porém, não constitui prova de crimes ou de envolvimento com o financista, que se suicidou em sua cela em 2019. Os documentos frequentemente contêm depoimentos de testemunhas, informações sobre vítimas e pistas falsas, e muitas das fotos divulgadas não possui qualquer contextualização.

Veja abaixo os principais nomes afetados pelo escândalo envolvendo o bilionário.

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DONALD TRUMP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi amigo de Epstein por mais de uma década antes de romper com o financista no final de 2004 por causa de um imóvel. Ele aparece diversas vezes nos documentos —uma delas descreve uma suposta acusação contra o republicano.

Segundo a denúncia, uma adolescente de 13 ou 14 anos teria sido forçada a praticar sexo oral em Trump décadas atrás no estado de Nova Jersey. Não há mais informações sobre o caso nem quando ele teria ocorrido, e o político nega irregularidades.

O escândalo de Epstein se tornou um problema político persistente para Trump, cuja base acreditou por anos em teorias da conspiração sobre o caso.

BILL CLINTON

Presidente dos EUA entre 1993 e 2001, Bill Clinton aparece em imagens dos arquivos liberados no final do ano passado. Uma das fotos mostra o ex-presidente reclinado em uma banheira de hidromassagem com uma pessoa cujo rosto foi ocultado.

Em muitas das cenas em que o democrata aparece, ele é a única pessoa cuja identidade pode ser discernida, e os arquivos fornecem pouco ou nenhum contexto para as imagens. O político, que nega qualquer conduta ilícita, deve depor pessoalmente e a portas fechadas perante um comitê da Câmara no dia 27 de fevereiro.

EX-PRÍNCIPE ANDREW

O ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, irmão mais novo do rei Charles 3º, foi preso nesta quinta-feira (19) sob suspeita de má conduta em cargo público devido aos seus vínculos com Epstein. Antes disso, ele já havia perdido seus títulos reais e renunciado ao seu título de duque de York.

Virginia Giuffre, a primeira vítima a falar publicamente que Epstein mantinha uma rede de tráfico de garotas para serviços sexuais, entrou com um processo judicial contra Andrew em um tribunal de Nova York em 2021. A mulher o acusou de ter cometido abuso sexual em três ocasiões, quando ela tinha 17 anos.

Os episódios teriam ocorrido com a ajuda do financista, com quem o então príncipe manteve relação próxima por anos. Ele nega as acusações.

BILL GATES

Emails de uma conta que parecia pertencer a Epstein afirmam que o cofundador da Microsoft, Bill Gates, tentou esconder uma IST (infecção sexualmente transmissível) de sua esposa Melinda após ter relações sexuais com “garotas russas”.

Um porta-voz de Gates disse que as acusações eram “absolutamente absurdas e completamente falsas”. “A única coisa que esses documentos demonstram é a frustração de Epstein por não ter um relacionamento contínuo com Gates e as medidas que ele tomaria para prendê-lo e difamá-lo”, acrescentou.

THORBJORN JAGLAND

Thorbjorn Jagland, premiê da Noruega entre 2005 e 2009, foi acusado de corrupção devido aos seus laços com o financista. Os emails trocados entre os dois mostram que eles se comunicavam frequentemente —en um deles, Jagland pede para se hospedar no apartamento de Epstein em Paris.

Os investigadores estão apurando “se presentes, viagens e empréstimos foram recebidos em função de sua posição”. Ele afirma que não tinha conhecimento da conduta do criminoso sexual.

LARRY SUMMERS

Ex-reitor da Universidade Harvard e secretário do Tesouro durante o governo Clinton, Summers manteve contato com Epstein por anos, mesmo após o bilionário ter sido acusado de tráfico sexual. Ele está afastado da instituição e renunciou a cargos em duas think tanks e ao conselho da OpenAI.

PETER MANDELSON

O ex-embaixador britânico nos EUA Peter Mandelson foi forçado a renunciar ao seu cargo na Câmara dos Lordes, do Reino Unido, após emails revelarem que seu marido, Reinaldo Ávila da Silva, recebeu £ 10 mil (cerca de R$ 71 mil na cotação atual) do bilionário americano. As mensagens mostraram também que sua amizade com o financista era mais profunda do que se imaginava anteriormente e incluía o compartilhamento de informações governamentais confidenciais com Epstein

MORGAN MCSWEENEY

Embora não tenha nenhum vínculo conhecido com Epstein, o ex-chefe de gabinete do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, renunciou no início de fevereiro após intensa pressão contra ele e o premiê pela decisão de indicar Mandelson ao cargo de embaixador nos EUA.

CASEY WASSERMAN

Presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional) dos jogos de Los Angeles de 2028, Casey Wasserman anunciou em fevereiro que estava iniciando o processo de venda de sua agência de talentos após uma onda de debandadas de músicos e artistas da empresa quando vieram à tona emails que ele enviou anos atrás para Ghislaine Maxwell, companheira de longa data de Epstein.

KATHRYN RUEMMLER

Conselheira jurídica da Goldman Sachs e ex-advogada de alto escalão do governo de Barack Obama, Kathryn Ruemmler anunciou que vai deixar o cargo em junho após emails revelarem detalhes de sua amizade com Epstein.

Nas mensagens, ela o aconselhava sobre como responder a perguntas difíceis a respeito de seus crimes sexuais e discutia sua vida amorosa, enquanto Epstein lhe dava conselhos de carreira sobre sua ida para a Goldman Sachs e a presenteava continuamente.

THOMAS PRITZKER

Thomas Pritzker era presidente executivo da rede de hotéis Hyatt e primo do governador de Illinois, o democrata J.B. Pritzker, um potencial candidato à indicação presidencial em 2028. Ele anunciou sua aposentadoria após vínculos com o financista virem à tona.

A imprensa americana noticiou uma troca de emails de 2018 na qual Epstein pediu ajuda a Pritzker para conseguir reservas para uma mulher que viajaria pela Ásia. A mulher disse ao agora ex-presidente da rede de hotéis que “tentaria encontrar uma nova namorada para Jeffrey”, ao que ele respondeu: “Que a força esteja com você”.

Ele disse se arrepender profundamente da amizade.

ALEXANDER ACOSTA

Em 2019, Acosta renunciou ao cargo de secretário do Trabalho após uma onda de protestos sobre sua atuação no caso dos crimes sexuais de Epstein em 2008. Acosta, então procurador federal na Flórida, concordou com um acordo judicial no qual Epstein cumpriria 18 meses de prisão após ser acusado de abusar sexualmente de dezenas de jovens mulheres e meninas.