SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Seis anos depois de dizer que o mercado de jornais tinha acabado, o bilionário Warren Buffett colocou o The New York Times na carteira de investimentos do conglomerado americano antes de encerrar o comando da Berkshire Hathaway, no ano passado. O movimento consta em relatório apresentado na terça-feira (17) pela Berkshire à agência federal dos EUA que regula o mercado financeiro do país.

De acordo com o formulário 13-F, a Berkshire tinha US$ 351,6 milhões (R$ 1,8 bilhão) em ações do The New York Times ao final de 2025 –o jornal tem US$ 12,3 bilhões de papéis vendidos em Bolsa.

Trata-se de uma fração pequena dos US$ 274 bilhões que a Berkshire tem em ações de empresas, mas ainda assim marca uma reviravolta importante na estratégia do conglomerado, que no terceiro trimestre do ano passado ainda não tinha ações do The New York Times ou de outro jornal.

Em janeiro de 2020, o grupo fechou acordo para vender suas operações jornalísticas por US$ 140 milhões, abandonando um setor que Buffet defendia por muito tempo. Na ocasião, a Berkshire se desfez de dezenas de jornais, incluindo o Omaha World-Herald, da cidade-sede do conglomerado no estado de Nebraska, bem como o Buffalo News, um jornal do oeste do estado de Nova York adquirido ainda em 1977.

A venda à época seguia comentários pessimistas de Buffett sobre jornais; em 2019, por exemplo, ele disse em uma entrevista que o setor tinha acabado. Já no ano anterior havia comentado com acionistas da Berkshire que apenas The Wall Street Journal, The New York Times e talvez The Washington Post tinham modelos digitais fortes o suficiente para compensar o declínio na circulação e na receita publicitária das versões em papel.

O The New York Times, que agora faz parte do portfólio de ações da Berkshire, tem um modelo de negócio que vai além da circulação de jornais impressos. O veículo de comunicação é o que mais tem assinantes digitais em todo o mundo, tendo fechado 2025 com 12,8 milhões de assinaturas –a meta do jornal é atingir 15 milhões até o final de 2027. O jornal também explora outras fontes de receita, como assinantes interessados em acessar jogos e receitas.

Em 2025, faturou US$ 2,8 bilhões, dos quais 69% vieram de assinaturas. Já o lucro operacional da empresa foi de US$ 431,6 milhões.

PORTFÓLIO DA BERKSHIRE

Quase metade do portfólio de ações da Berkshire vem de papéis da Apple, 23%, e da American Express, 21%. Juntas, as participações nessas duas empresas dão ao conglomerado de Buffet uma gestão de US$ 118 bilhões. Outras empresas com participação importante na carteira são Bank of America, 10%, Coca-Cola, 10%, e Chevron, 7,2%.