Da Redação

A escola de samba Acadêmicos de Niterói recebeu cerca de R$ 9,6 milhões em recursos públicos de diferentes esferas de governo para financiar seu desfile no Carnaval de 2026, cujo enredo exaltava a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os recursos foram aportados pela Prefeitura de Niterói, pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, pela Embratur (autarquia federal ligada ao turismo) e pela empresa municipal Riotur do Rio de Janeiro.

Apesar do alto investimento, a escola terminou a apuração com 264,6 pontos, a menor pontuação entre as agremiações do Grupo Especial do Carnaval carioca, o que resultou em seu rebaixamento para a Série Ouro no próximo ano.

O envolvimento do governo federal no apoio à Acadêmicos de Niterói foi além do financiamento. A primeira-dama Janja da Silva esteve duas vezes na quadra da escola, em 7 de outubro de 2025 e 7 de fevereiro de 2026, participando de ensaios e encontros com dirigentes da agremiação. Na segunda visita, ela esteve acompanhada da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, que utilizou sua agenda oficial para acompanhar o evento e divulgou fotos com o presidente da escola, Wallace Palhares, fazendo o gesto de “L” característico da campanha de Lula.

Registros oficiais também mostram que Palhares foi recebido duas vezes no Palácio do Planalto em outubro de 2025 para reuniões com a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, além de encontros com o secretário-executivo da pasta, André Ceciliano, o deputado federal Lindbergh Faria (PT-RJ) e o vereador petista Anderson Pipico.

Os repasses públicos incluem R$ 4 milhões da Prefeitura de Niterói — valor que, segundo o prefeito Rodrigo Neves (PDT), foi igual ao destinado a outra escola de samba da cidade — R$ 2,5 milhões do Governo do Rio de Janeiro via patrocínio à Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), R$ 1 milhão da Embratur (o mesmo valor repassado às demais escolas do Grupo Especial) e R$ 2,15 milhões da Riotur.

O episódio reacendeu o debate público sobre a utilização de verbas públicas em eventos culturais com forte conotação política e o papel de autoridades federais em atividades associadas a enredos que homenageiam figuras políticas.