(UOL/FOLHAPRESS) – Dois pontos chamaram a atenção de representantes da empresa de agenciamento esportivo que cuida da carreira de Vinicius Júnior após o mais recente caso de racismo envolvendo o jogador. O primeiro foi a onda de manifestações de apoio ao brasileiro após ele denunciar o episódio. E o outro foi o fato do acusado, desta vez, também ser um jogador de futebol.

“O que vimos foi deplorável. Já lidamos com muitos problemas de racismo, mas eram envolvendo torcedores, grupos organizados, pessoas que se escondem no anonimato. Mas, desta vez, foi um atleta. Chegamos a uma nova esfera, uma manifestação dentro de campo que antes nunca tinha acontecido”, disse representante da agência que cuida da carreira de Vini Jr. à reportagem.

Desde 2023, quando sofreu o primeiro caso de racismo na carreira, o jogador do Real Madrid tem enfrentado o problema de forma quase solitária, sem o apoio de atletas, dirigentes e federações.

Na última terça-feira (17), aos 6 minutos do segundo tempo, após o gol de Vini Jr. que definiu a vitória do Real Madrid sobre o Benfica pela Liga dos Campeões da Uefa, o brasileiro relatou ao árbitro François Letexier que o adversário argentino Gianluca Prestianni, de 20 anos, o chamou de macaco. O juiz ativou o protocolo antirracismo da Fifa, mas nenhuma punição foi aplicada ao jogador do Benfica.

Desta vez, no entanto, os representantes que trabalham com o brasileiro dizem que ele se sentiu acolhido pela onda de manifestações favoráveis à sua reação. Após a partida, o companheiro Kyllian Mbappé reforçou a denúncia contra o argentino e cobrou da Uefa que o agressor não volte mais a disputar uma partida da Liga dos Campeões.

A ação do francês desencadeou uma série de movimentos em defesa de Vinicius Júnior. Ex-atletas que comentam jogos de futebol em canais europeus foram as vozes mais ativas, com destaque para Thierry Henry, Micah Richards, Joe Cole e Rio Ferdinand.

“O que Prestianni fez foi covarde (de cobrir a boca). Se você tem algo a dizer para alguém, não levante a camisa. Não podemos dizer o que ele disse, porque ele está segurando a camisa, mas o simples ato de esconder o rosto já é um ato covarde”, disse Joe Cole, ex-meia da seleção da Inglaterra.

Na quarta-feira, Fifa e CBF emitiram comunicados em que citam o episódio da partida entre Real Madrid e Benfica e condenam os casos de racismo no futebol, mas sem exigência de punições sobre a denúncia de Vinicius Júnior. Já a Uefa disse que abriu uma investigação para apurar o caso pelo Comitê de Ética e Disciplina da entidade.