SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A imprensa britânica noticiou que o ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, irmão mais novo do rei Charles 3º, foi preso nesta quinta-feira (19) sob suspeita de má conduta em cargo público devido aos seus vínculos com Jeffrey Epstein. Se confirmada a prisão, será o maior desdobramento até hoje do caso Epstein envolvendo uma figura pública.

A informação foi divulgada pela emissora BBC e pelo jornal The Guardian. O Palácio de Buckingham ainda não se pronunciou. A polícia britânica confirmou que prendeu um homem com cerca de 60 anos, mas disse que não divulgaria sua identidade devido a diretrizes da corporação.

A prisão ocorre no mesmo dia do seu aniversário de 66 anos.

A imprensa britânica havia noticiado que carros de polícia sem identificação e cerca de oito agentes à paisana foram até a casa de campo em Sandringham, a propriedade do rei em Norfolk, no leste da Inglaterra. Andrew se mudou para o local no início deste mês, após deixar sua mansão na propriedade da família real em Windsor.

A mudança ocorreu após novas revelações sobre seus vínculos com Epstein nos arquivos mais recentes divulgados pelo governo dos Estados Unidos.

O filho da rainha Elizabeth 2ª foi destituído de todos os títulos reais no ano passado, devido aos laços com o financista, em um escândalo que lançou uma sombra sobre a família real britânica.

A polícia britânica disse no início deste mês que estavam analisando novas denúncias de que Andrew teria repassado documentos confidenciais do governo a Epstein, de acordo com os novos documentos publicados pelo Departamento de Estado dos EUA.

Em fotos incluídas no mais recente lote de arquivos, o ex-duque de York também aparece ajoelhado sobre uma mulher deitada no chão. Nas imagens divulgadas, o membro da família real é visto de joelhos e com as mãos no chão sobre uma mulher não identificada, totalmente vestida, deitada no chão. Em duas delas ele parece estar tocando na barriga dela. Outra imagem o mostra olhando diretamente para a câmera.

O Departamento de Justiça dos EUA também publicou emails separados que sugerem que Epstein convidou Andrew para jantar com uma mulher russa de 26 anos. As mensagens foram trocadas em agosto de 2010, dois anos depois de Epstein se declarar culpado de aliciar uma menor de idade.

O monarca sempre negou qualquer irregularidade e afirma não ter tido conhecimento dos crimes de Epstein.

Após liberação dos materiais, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, disse que o ex-príncipe deveria testemunhar perante um comitê do Congresso dos EUA para explicar tudo o que sabe sobre Epstein —reforçando o pedido que legisladores americanos haviam refeito a Andrew em novembro.

A relação do monarca com o bilionário americano foi primeiramente denunciada por Virginia Giuffre, que acusou o então príncipe de tê-la abusado sexualmente e contratado serviços da rede de exploração sexual do americano.

Ela entrou com um processo judicial contra Andrew em um tribunal de Nova York em 2021. Giuffre o acusou de ter cometido abuso sexual em três ocasiões, quando ela tinha 17 anos. Os episódios teriam ocorrido com a ajuda de Epstein.

Andrew chegou a pagar milhões a Giuffre em 2022 para encerrar a ação judicial. O ex-príncipe afirma que nunca a conheceu e nega as acusações —apesar disso, uma foto que circulou amplamente na imprensa mostra os dois juntos ao lado de Maxwell.

Giuffre se suicidou em abril do ano passado, aos 41 anos.

Epstein se suicidou em uma prisão nos Estados Unidos em 2019 quando aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual. Sua companheira de longa data, Ghislaine Maxwell, foi posteriormente condenada pela Justiça dos EUA em cinco acusações, por recrutar jovens e ajudar o investidor a abusar delas.