SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Uma notícia entristeceu os sambistas de São Paulo na Quarta-Feira de Cinzas: morreu Ideval Anselmo, um dos grandes compositores de samba-enredo do Carnaval paulistano, aos 85 anos.
A morte foi anunciada pela família, com o compromisso de dar continuidade ao legado do criador de “Narainã, a Alvorada dos Pássaros”, o clássico samba-enredo de 1977 da Camisa Verde e Branco, composto ao lado de Zelão.
Nascido em Catanduva, ele passou a infância e a adolescência em Votuporanga. “Eu trabalhava na roça, por falta de serviços. O preconceito influenciou também”, ele contou à plataforma Iniciativa Negra sobre a vida difícil de jovem negro no interior.
Chegou na capital aos 18 anos, onde trabalhou como torneiro mecânico, casou com Hayde, já falecida, teve quatro filhos, netos, bisnetos e uma tataraneta.
Na mesma entrevista, o músico falou sobre o impacto sentido ao assistir uma apresentação do Salgueiro, no Anhangabaú, na juventude, e como isso o influenciou a se aproximar dos cordões carnavalescos e se dedicar à composição de sambas.
Ainda aprendiz, Ideval venceu a primeira disputa de que participou na Camisa Verde e Branco com o samba “Literatura de Cordel”, em 1972.
Ao lado de parceiros, foi campeão no Carnaval de São Paulo em 1974, 1976, 1977 e 1979, na Camisa Verde e Branco, e em 1984, na Rosas de Ouro. O sambista compôs também para a Peruche e Tom Maior.
Teve sambas gravados por cantores como Jamelão, Eliane de Lima, Tobias da Vai-Vai e Fabiana Cozza.
“O senhor foi, e seguirá sendo, o maior compositor de samba-enredo de São Paulo”, disse Cozza ao lamentar a morte. “O artista que conheci, abracei, elogiei e que me fez, ainda tão menina, imaginar e sonhar as histórias, os lugares e as personagens que poetizou e que, por força do destino, a voz do meu pai defendeu no solo sagrado das avenidas”.
A causa da morte não foi informada. O velório do sambista será nesta quinta-feira (19), das 8h30 às 12h30, no Cemitério Vila Nova Cachoeirinha.



