SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, tem mantido conversas secretas com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-ditador cubano Raúl Castro, informou o portal americano Axios nesta quarta-feira (18), citando três autoridades que falaram sob a condição de anonimato.

Um alto funcionário do governo ouvido pelo Axios afirma que não se trata de negociações, mas de discussões sobre o futuro da ilha. Raúl Castro sucedeu o irmão, Fidel Castro (1926-2016), e comandou Cuba de 2008 a 2018.

Segundo o site, Rubio, que nasceu nos EUA e é filho de cubanos, manteve essas conversas com Raúl Guillermo Rodríguez Castro à margem do regime, hoje comandado por Miguel Díaz-Canel.

O Departamento de Estado dos EUA e a embaixada cubana em Washington não comentaram.

As conversas ocorrem durante uma das maiores crises registradas na ilha nos últimos anos, com a interrupção do fornecimento de petróleo venezuelano desde a captura do ditador Nicolás Maduro, no dia 3 de janeiro, por forças americanas em Caracas.

Desde então, há registros de filas extensas para a compra de combustível e de apagões de até 20 horas por dia em algumas regiões da ilha.

Diante da crise, dois navios mexicanos foram enviados para Havana com mais de 800 toneladas de ajuda humanitária. Na segunda-feira (16), o governo espanhol informou que também enviaria alimentos e suprimentos de saúde.

Já o presidente da Rússia, Vladimir Putin, recebeu nesta quarta o chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, no Kremlin, em Moscou, e criticou as novas restrições impostas à ilha caribenha. Segundo agências estatais russas, o líder classificou as sanções de inaceitáveis.

“Agora é um período especial, novas sanções. Você sabe como nos sentimos sobre isso”, afirmou Putin, de acordo com a agência oficial russa. “Não aceitamos nada desse tipo.”

O governo de Donald Trump ameaça impor tarifas contra países que queiram vender combustível para Cuba. O republicano também já afirmou que considera a ilha uma “nação falida” e instou Havana a firmar um acordo com os EUA. Ele disse ter descartado, no entanto, a ideia de uma operação destinada a derrubar o regime.

Avaliações da CIA indicam que a ilha enfrenta um colapso econômico, especialmente nos setores de agricultura e turismo. Entretanto, o serviço de inteligência dos EUA adota cautela sobre a possibilidade de queda do regime.

No início de fevereiro, Trump afirmou que os EUA mantinham conversas com Cuba “no mais alto nível”, mas o governo americano tem sido discreto e se recusa a fornecer detalhes sobre o conteúdo ou sobre as pessoas envolvidas nos diálogos.

Raúl Castro, que hoje tem 94 anos, está aposentado desde que deixou o cargo de secretário-geral do Partido Comunista de Cuba, em 2021.

Ele protagonizou, junto ao ex-presidente americano Barack Obama, uma aproximação inédita com os EUA em meados da década de 2010, logo revertida no primeiro governo de Donald Trump.