SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Letícia Oliveira, 29, uma das pessoas que foi internada após tomar banho na piscina de uma academia na zona leste de São Paulo, recebeu alta nesta terça-feira (17).
Mulher estava com a filha na piscina e passou quatro dias internada na UTI após aula de natação. Ela estava na mesma piscina que Juliana Faustino, 27, que morreu, e falou sobre o assunto à TV Globo hoje.
Letícia lembrou que muitas crianças entraram na piscina no mesmo dia que Juliana e disse que ela e a filha poderiam ter morrido. “Poderia ter acontecido muito mais [mortes]”, afirmou.
“Eu estou muito grata que estou aqui hoje para contar essa história e pedir Justiça. Poderia ser minha filha, poderia ser eu. Poderia ser várias crianças que estavam naquela piscina naquele dia”, disse Letícia Oliveira, à TV Globo.
Marido de Juliana, Vinicius de Oliveira, 31, também recebeu alta nesta semana. O homem, que ficou internado em estado grave na UTI, saiu do hospital no domingo.
Juliana Faustino, 27, morreu após usar a piscina da C4 Gym e passar mal. O caso aconteceu no dia 7 de fevereiro na zona leste de São Paulo.
Câmeras de segurança gravaram o momento em que alunos saem da água. Juliana e o marido foram levados ao hospital, assim como outras cinco pessoas. Ele sobreviveu.
Academia não tinha alvará para funcionar, segundo a Polícia Civil. A instalação elétrica da piscina estava ligada à cozinha da academia e os produtos para limpeza da piscina também estavam em local inadequado, segundo os investigadores.
O QUE DIZ A ACADEMIA
Direção da Academia C4 Gym lamentou “profundamente” o ocorrido após a morte da professora. Também informou que prestou “imediato atendimento a todos os envolvidos” e que tem mantido contato direto com as pessoas envolvidas a fim de oferecer todo o suporte.
“Assim que os alunos relataram odor forte na área da piscina, toda a academia foi evacuada e o SAMU e o Corpo de Bombeiros foram acionados. Devido à demora do SAMU, um dos atendentes da academia solicitou auxílio a uma viatura da GCM, que se dispôs a socorrer Juliana. Os policiais informaram que poderiam levá-la apenas ao hospital mais próximo, na Vila Alpina, mas os acompanhantes optaram por levá-la a uma unidade de seu plano de saúde, em Santo André”, disse a C4 Gym, em nota.
Celso, Cesar e Cezar foram indiciados por homicídio com dolo eventual, conforme apurou o UOL. O dolo eventual ocorre quando o investigado não deseja diretamente o resultado morte, mas assume o risco de produzi-lo ao adotar determinada conduta.
Pedido de prisão foi feito para “garantir o sucesso da investigação” e evitar interferências, esclareceu delegado. Defesa dos empresários enviou uma petição à Justiça “com esclarecimentos para que o pedido de prisão temporária não prospere”.
Apesar do indiciamento, nenhum dos sócios foi preso ainda. A Polícia Civil pediu a prisão deles ao judiciário, responsável por apreciar a solicitação, que negou a solicitação.
FUNCIONÁRIO AFIRMOU NÃO TER HABILITAÇÃO DE PISCINEIRO
Severino José da Silva, manobrista da academia, era o responsável pela limpeza da piscina. Ele contou que no dia da aula, preparou de seis a oito medidas de cloro para limpar piscina, fez o teste e enviou a foto para o dono da academia, que o orientou a usar o produto na piscina. Apesar disso, ele disse que não chegou a aplicar o produto, apenas preparou a solução.
Ele disse à polícia que não tinha formação para manusear produtos químicos e que o dono da academia sabia. Ele afirmou que assumiu a função da limpeza da piscina após o antigo manobrista sair da empresa. O antigo funcionário repassou as instruções de que o procedimento consistia em medir os níveis da água e do cloro, fotografar o resultado e enviar a imagem diretamente ao supervisor técnico.
Polícia decidiu que Severino não responderá criminalmente pelo ocorrido. No entendimento da polícia, ele não cometeu crime. “O manobrista responsável pela limpeza deixou claro que a negligência no tratamento da piscina ‘é coisa corriqueira’ na academia”, afirmou o delegado Alexandre Bento.



