SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O dono da Meta, Mark Zuckerberg, deve prestar depoimento nesta quarta-feira (18) em um julgamento que analisa a dependência de jovens em redes sociais.

O bilionário será ouvido em um tribunal de Los Angeles. Esta é a primeira vez que ele deve ser interrogado sobre a segurança das suas plataformas perante um júri.

Julgamento começou em 9 de fevereiro e tem como alvos a Meta e a Alphabet, dona do YouTube. Além de Zuckerberg, o responsável pelo Instagram, Adam Mosseri, e o diretor do YouTube, Neil Mohan, também devem ser ouvidos pelo tribunal.

ENTENDA O CASO

O caso que baseia o julgamento é o de uma mulher de 20 anos, identificada pelas iniciais K. G. M. Ela alega que sofreu danos mentais pela dependência de redes que desenvolveu quando era criança. Segundo a agência de notícias AFP, a mulher começou a usar o YouTube quando tinha seis anos e passou a usar outras redes aos 11, virando usuária compulsiva.

Júri popular deve determinar se as empresas de tecnologia projetaram deliberadamente suas plataformas para tornar as crianças dependentes. O resultado pode estabelecer um precedente judicial em matéria de responsabilidade civil dos operadores de redes sociais, até agora isentos.

Expectativa é de que o resultado desse processo altere o curso de outras ações legais no país. Outros processos tentam linkar a dependência das redes sociais por parte dos seus usuários com casos de depressão, transtornos alimentares, internações psiquiátricas e até suicídios.

Os advogados dos autores estão copiando a estratégia seguida nos anos 1990 e 2000 contra a indústria do tabaco, que foi condenada por oferecer um produto nocivo. Os advogados de defesa recorrem à Lei de Decência nas Comunicações dos Estados Unidos para eximi-los de qualquer responsabilidade pelo que os usuários das redes sociais publicam.