RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) – Com classificação ou não às semifinais do Carioca, se tem uma coisa é comum aos quatro grandes do Rio no momento é ter alguma figura perseguida/criticada ao extremo pela torcida.
As torcidas de Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo têm pelo menos um alvo que gera vaias e/ou xingamentos que extrapolam redes sociais e chegam às arquibancadas.
‘MANIA’ DE VAIAR O LATERAL
No Flamengo, Emerson Royal atrai as críticas. No caso dele, algumas falhas defensivas, como na derrota para o Fluminense, e erros técnicos na hora de preparar jogadas ficam marcados na cabeça do torcedor.
Mas para Filipe Luís, o lateral-direito está sendo vaiado até mesmo por uma mera mania da torcida.
“Treinou nas férias, todos os dias evolui. Fez um jogo na fase defensiva perfeito contra o Vitória. Salvou várias oportunidades. Ele está melhorando bastante. O que me deixou chateado hoje foi que parte da torcida o xingou no intervalo por pura mania, por estar na moda. Isso me corta o coração. Ele está dando a vida para poder superar as adversidades. Ele precisa de carinho porque vai render cada vez mais”, defendeu o treinador.
“A gente vem crescendo. Tive algumas críticas, mas isso ficou no passado. Estou trabalhando, jogo após jogo, venho evoluído. A confiança que o Filipe tem em mim me ajuda muito. Mesmo quando me criticavam, ele me colocava para jogar. Hoje, mais um jogo bom do time, nos dá confiança”, disse Royal, após a vitória sobre o Botafogo.
PROBLEMA COM O TÉCNICO
No Vasco, é o próprio técnico Fernando Diniz, o que até reduz mas não extingue a intensidade da cobrança sobre o atacante Brenner.
Diniz foi alvo de xingamentos nos últimos jogos, diante da dificuldade de o Vasco vencer. O episódio mais recente foi na suada classificação diante do Volta Redonda, nos pênaltis, em São Januário. Diniz tenta absorver as pancadas.
“Eu aguento o que vem da arquibancada. A torcida do Vasco é diferente. Há um mês, a torcida estava gritando o meu nome. A torcida está no direito e está certa. Se o time faz o que fez no primeiro tempo, como a torcida não vai se desesperar com aquilo que está vendo?”, disse o técnico do Vasco.
O meia Coutinho, antes xodó da torcida, entrou para o hall de xingados, mesmo com a vaga nas semifinais do Estadual.
VAIAS AO ZAGUEIRO
No caso do Fluminense, nem a vitória tranquila sobre o Bangu foi motivo para poupar Freytes. O zagueiro falhou no gol de honra do adversário, errando um domínio simples na entrada da área. E não foi a primeira vez que ele protagoniza alguma bobeira defensiva.
A atenção da torcida antes era dividida entre o zagueiro e Everaldo. Mas o atacante foi emprestado ao Bahia. Agora, ele é o titular que recebe as vaias no Maracanã.
O técnico Luís Zubeldía também tenta amenizar o clima para o argentino e cita o trabalho das duplas de zaga que já usou neste ano.
“Os três zagueiros que mais jogaram foram Juan (Freytes), Jemmes e Ignácio. E estou contente com os três. Acho que o rendimento é muito mais positivo do que negativo para os três por igual. Com o Juan, há muito mais amostras, porque ele já vem jogando desde o ano passado. O Jemmes se adaptou rápido e o Ignácio vem tendo boas atuações. Então, por enquanto, os três centrais que jogaram comigo, os três zagueiros, estamos satisfeitos e eles renderam bem”, disse o treinador do Fluminense.
GOLEIRO NA BERLINDA
E no Botafogo? O rosto da eliminação no Carioca foi o goleiro Neto, que falhou no gol de Pulgar.
Ele já tinha batido roupa contra o Fluminense, pelo Brasileirão, e não caiu nas graças da torcida, apesar de ano passado ter aparecido inicialmente como substituto de John.
O técnico alvinegro, Martín Anselmi, preferiu colocar o foco no coletivo e não em falhas individuais.
“Quando ganhamos, ganhamos todos. Quando perdemos, perdemos todos. Essa é a minha maneira de ver o futebol. Porque, no fim de um lance, sei que foi um escanteio, precisamos entender por que houve o escanteio, por que a bola foi para trás. Em algum momento alguém perdeu a bola. É assim: ganhamos todos, perdemos todos. Não se pode apontar para um só”, afirmou o argentino, único dos quatro grandes que já está sem chance de título no Carioca.



