SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A influência de Marcelo Paz no comando do futebol do Corinthians tem sido observada internamente como capital político.
O dirigente tem ciência desse peso e atua de forma diplomática no ambiente alvinegro.
BUSCA POR CAPITAL POLÍTICO
Em ano eleitoral, diferentes alas do clube enxergam Paz como um possível aliado. O Corinthians já vive movimentos políticos no Parque São Jorge de olho no pleito que acontecerá no fim do ano, o que faz com que o executivo seja monitorado por diversos grupos.
Mesmo com o departamento de futebol sendo alvo de questionamentos pontuais, Paz tem sido poupado. Outros profissionais, como o gerente Renan Bloise, estão mais expostos à mira política neste momento.
Ciente do cenário, Marcelo Paz utiliza o traquejo adquirido durante o período em que foi presidente do Fortaleza para lidar com a situação. A estratégia inicial é conduzir o trabalho da forma mais política e diplomática possível, sem se alinhar a lados.
Ainda assim, a autonomia do futebol é tratada pelo dirigente como inegociável. O objetivo não é criar embates políticos, mas Paz tem respaldo total do presidente Osmar Stábile para reivindicar essa independência caso entenda que o ambiente político esteja interferindo no trabalho técnico.
STÁBILE COMO FIGURA POLÍTICA
Paralelamente, o próprio Osmar Stábile está envolvido nas articulações internas. Ele ainda não definiu se buscará a reeleição e, nos bastidores, se limita a afirmar que considera cedo para tratar do tema. Ao mesmo tempo, deixou claro que está disposto a comprar brigas e adotar medidas internas caso eventuais postulantes antecipem suas campanhas, ainda que de forma velada.
Essa postura levou o presidente corintiano a romper com figuras que já foram aliadas e que tiveram participação, ainda que informal, na atual gestão. O principal caso é o de Rozallah Santoro, que chegou a acompanhar Stábile em uma viagem à sede da CBF, no Rio de Janeiro, para tratar de fair play financeiro.
Embora nunca tenha sido nomeado para cargo algum, Santoro integrou o grupo que auxiliou o atual mandatário quando assumiu interinamente e, depois, foi eleito de forma indireta no Conselho.
No caso de Marcelo Paz, a indefinição sobre uma eventual candidatura de Stábile à reeleição impacta diretamente as relações políticas futuras. Mesmo sem ser alvo direto hoje, o executivo é observado por aliados e opositores do presidente como uma possível peça de uso político adiante seja como escudo ou alvo de ataques.
POPULARIDADE A FAVOR
Por ora, a popularidade de Paz joga a seu favor.
O dirigente tem consciência de que é bem avaliado pela opinião pública, fator que contribui para a continuidade do trabalho sem necessidade de exposição política.
Enquanto isso, ele segue aprofundando a leitura do cenário interno do clube, mantendo a diplomacia e evitando tomar partido.



