SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Mocidade Alegre é a grande campeã do Carnaval de 2026 em São Paulo. A conquista foi sua 13ª na história da liga desde 1965. As demais foram em 1971, 1972, 1973, 1980, 2004, 2007, 2009, 2012, 2013, 2014, 2023 e 2024.

Com mais este título, a Mocidade se aproxima da Vai-Vai, a recordista do Carnaval de São Paulo com 15 taças.

Terceira escola a desfilar na segunda noite do Carnaval no Sambódromo do Anhembi, a agremiação liderou quase toda a apuração desta terça-feira (17) e somou 269,8 pontos, deixando para trás a Gaviões da Fiel, com 269,7, e Dragões da Real, com 269,6. A escola só perdeu a liderança uma vez para a Gaviões, mas logo retomou a ponta para não perdê-la mais.

A presidente Solange Cruz atribuiu o título a um trabalho conjunto da agremiação. “Não tem segredo. É muita união, muita participação. A comunidade é ativa. Todo mundo ajuda em tudo. No barracão, na fantasia, e acima de tudo no ensaio. É muito ensaio, todos os dias”, afirmou.

O enredo voltado para as mulheres também serviu de mensagem para “aqueles que muitas vezes não querem nos ouvir”, afirmou a presidente. “Eu sou nascida e criada no samba e a gente aprende todos os dias. Às vezes as pessoas precisam escutar para entender”, declarou.

Como já é tradição, ela carregava dezenas de terços em uma das mãos e em outra, uma adereço em formato de cobra que conseguiu em uma viagem à Bahia.

A serpente faz referência a Oxumarê, o orixá do movimento e da renovação, e “é a peça fundamental de todo o início do desfile”, disse a presidente.

“A Léa Garcia [atriz homenageada pela Mocidade] era filha de Oxumarê. Então, a cobra acompanhou quase toda a escola.”

Comandante da bateria da agremiação desde 1994, Mestre Sombra disse que a escola precisou se superar neste ano, após perder o título no ano passado por problemas em alegorias. Ele falou que neste ano o terceiro carro alegórico passou pela avenida “empurrado”.

Enquanto a diretoria comemorava no Anhembi, na quadra da Mocidade, no bairro do Limão, os componentes da escola foram à loucura. Ao 61 anos, Eliana Albuquerque não conseguia conter as lágrimas ao comemorar o título.

Em seu primeiro desfile, ela foi campeã e lembrou do quanto queria aproveitar o Carnaval durante toda a vida, mas foi impedida.

“A Mocidade é minha escola do coração. Quando era pequena eu pulava o muro de casa para vir à quadra acompanhar os ensaios. Depois cresci e me casei, aí quem me proíbia de desfilar era meu marido. Hoje, eu realizei um sonho de criança”, disse.

Ela lembra da dedicação dos últimos meses, quando ensaiava cinco vezes na semana para não fazer feio na avenida.

Presidente da Gaviões da Fiel, segunda colocada na disputa, apenas um décimo atrás da campeã, Alexandre Domênico Pereira afirmou que já mira o ano que vem.

“Mais uma vez a decisão foi por um décimo, igual aconteceu em 2025. Miramos o título, mas estamos felizes. O terremoto passou na avenida, a torcida sacudiu o Anhembi”, afirmou.

“Todo corintiano sabe do sofrimento. É passo a passo. Quarto, terceiro e segundo lugar. E no ano que vem a gente vai mirar o céu”, disse.

Em uma rapsódia carnavalesca, a Mocidade Alegre exaltou a trajetória de Léa Garcia, uma das maiores atrizes brasileiras, morta em 2023, aos 90 anos em Gramado, onde receberia uma homenagem. O enredo foi “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”.

Vestida com as cores do arco-íris, a médica e ex-BBB Thelma Garcia interpretou a pioneira negra do teatro e do cinema no abre-alas. Outro ex-Big Brother, o também médico Fred Nicácio, fez uma conexão entre Abdias do Nascimento, fundador do Teatro Experimental do Negro, e Exu.

Entre outros, o desfile narrou o sucesso da atriz no filme “Orfeu Negro”, com a indicação como melhor intérprete no Festival de Cannes em 1957, e a participação em diversas novelas, entre elas “Escrava Isaura”, onde interpretou a antagonista Rosa.

Na alegoria final, a atriz Adriana Lessa encarnou Léa Garcia na premiação do Festival de Cinema de Gramado, onde ela morreu antes de receber a homenagem.

A evolução foi um dos destaques do desfile, mas a Mocidade precisou apertar o passo no final. A escola encerrou sua apresentação já nos segundos extras para não ter punição por estouro de tempo.

Rosas e Águia caem e Tucuruvi e Pérola Negra sobem

Uma falha administrativa foi primordial para o rebaixamento da Sociedade Rosas de Ouro ao Grupo de Acesso 1 do Carnaval de São Paulo. Campeã no ano passado, a escola já começou a disputa perdendo cinco décimos de ponto pela entrega de documentos fora do prazo estabelecido.

Ao todo, a agremiação chegou a 268,4 pontos e foi a penúltima colocada. Com dois décimos a menos, a Águia de Ouro, última colocada, também deixa o Grupo Especial.

Em nota divulgada na última sexta-feira (13), a Liga das Escolas de Samba declarou que os documentos deveriam ter sido impressos e enviados à sua sede até as 23h59 da última segunda-feira (9), o que não foi feito pela Rosas.

Além desse desconto, a escola também perdeu pontos importantes em vários quesitos durante a apuração. Apesar do tradicional luxo para representar o enredo “Escrito nas Estrelas”, empolgando o público com alegorias cheias de luz, não foi o suficiente para os jurados.

No lugar das duas escolas, estarão no desfile de 2027 a Acadêmicos do Tucuruvi e a Pérola Negra, que lideraram a apuração do Grupo de Acesso 1 na manhã desta terça.

Resultado final do Carnaval de SP em 2026

1º Mocidade Alegre 269,8

2º Gaviões da Fiel 269,7

3º Dragões da Real 269,6

4º Acadêmicos do Tatuapé 269,5

5º Barroca Zona Sul 269,4

6º Tom Maior 269,4

7º Estrela do Terceiro Milênio 269,1

8º Mocidade Unida da Mooca 269

9º Império de Casa Verde 268,9

10º Camisa Verde e Branco 268,8

11º Colorado do Brás 268,7

12º Vai-Vai 268,6

13º Rosas de Ouro 268,4

14º Águia de Ouro 268,2

AS CAMPEÃS DE CADA ANO, DESDE 1965

2026 Mocidade Alegre

2025 Rosas de Ouro

2024 Mocidade Alegre

2023 Mocidade Alegre

2022 Mancha Verde

2021 Desfiles cancelados devido à pandemia de Covid-19

2020 Águia de Ouro

2019 Mancha Verde

2018 Acadêmicos do Tatuapé

2017 Acadêmicos do Tatuapé

2016 Império de Casa Verde

2015 Vai-Vai

2014 Mocidade Alegre

2013 Mocidade Alegre

2012 Mocidade Alegre

2011 Vai-Vai

2010 Rosas de Ouro

2009 Mocidade Alegre

2008 Vai-Vai

2007 Mocidade Alegre

2006 Império de Casa Verde

2005 Império de Casa Verde

2004 Mocidade Alegre

2003 Gaviões da Fiel

2002 Gaviões da Fiel

2001 Vai-Vai e Nenê de Vila Matilde

2000 Vai-Vai e X-9 Paulistana

1999 Gaviões da Fiel e Vai-Vai

1998 Vai-Vai

1997 X-9 Paulistana

1996 Vai-Vai

1995 Gaviões da Fiel

1994 Rosas de Ouro

1993 Camisa Verde e Branco e Vai-Vai

1992 Rosas de Ouro

1991 Camisa Verde e Branco e Rosas de Ouro

1990 Camisa Verde e Branco e Rosas de Ouro

1989 Camisa Verde e Branco

1988 Vai-Vai

1987 Vai-Vai

1986 Vai-Vai

1985 Nenê de Vila Matilde

1984 Rosas de Ouro

1983 Rosas de Ouro

1982 Vai-Vai

1981 Vai-Vai

1980 Mocidade Alegre

1979 Camisa Verde e Branco

1978 Vai-Vai

1977 Camisa Verde e Branco

1976 Camisa Verde e Branco

1975 Camisa Verde e Branco

1974 Camisa Verde e Branco

1973 Mocidade Alegre

1972 Mocidade Alegre

1971 Mocidade Alegre

1970 Nenê de Vila Matilde

1969 Nenê de Vila Matilde

1968 Nenê de Vila Matilde

1967 Unidos do Peruche

1966 Unidos do Peruche

1965 Nenê de Vila Matilde e Unidos do Peruche