SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Bruna Griphao descobriu que virar musa de escola de samba não é só aprender a sambar. Nesta terça-feira (17), a atriz estreia no Carnaval carioca como musa do Acadêmicos do Salgueiro após um ano se dedicando a aprender a dançar, reorganizando a agenda profissional e se integrando à rotina da escola de samba e da comunidade.

Entre os compromissos carnavalescos e a carreira de atriz, Bruna admite que a conta não fecha sem sacrifícios. “É um malabarismo. Não quis deixar de lado meu trabalho e minha vida pessoal, mas tive que abrir mão do meu sono”, diz. Ela conta que a tentativa de equilibrar tudo significa semanas sem folga e dias que começam cedo e terminam tarde.

A ansiedade também passou a fazer parte do dia a dia. “Eu acho que ainda não caiu a ficha”, conta. Apesar de já ter pisado na Marquês de Sapucaí nos ensaios técnicos e de ter se emocionado na avenida, a atriz afirma que ainda não conseguiu dimensionar o que representa ocupar o posto de musa em uma das escolas mais tradicionais do Rio.

Há também o peso de assumir o posto sem ter uma longa trajetória ligada ao samba ou à comunidade do Salgueiro. Bruna reconhece a cobrança e não acha exagero. “Eu não sou cria do Salgueiro, então eu tenho que saber chegar”, afirma. Para ela, o respeito é ponto de partida.

“Sinto que essa cobrança é natural, até porque [o Carnaval] é muito mais do que só aparecer lá em fevereiro. É o trabalho da vida dessas pessoas que vivem o Carnaval. É o ano inteiro, é muita dedicação, muita devoção.”

Ao longo dos últimos meses, a atriz buscou se integrar a esse novo universo da escola. Além das aulas de samba, passou a prestar atenção em detalhes do próprio corpo que o público talvez nem perceba, mas que fazem diferença na avenida. Bruna admite que ainda enfrenta dificuldades com o movimento dos braços enquanto samba e que tem se dedicado a melhorar .

“O mínimo que eu posso fazer é estar presente, respeitar, me dedicar, honrar o convite que me foi feito e dar o meu melhor. Eu acho que é o mínimo. Então, tudo que eu faço, ainda acho que é pouco.”

Ela relata que foi acolhida pelas musas da comunidade e guarda a com carinho a lembrança de entrar na Sapucaí para um ensaio e sentir o peso e o privilégio do posto que ocupa. “É um momento que vai ficar marcado pra sempre”, diz.

Com a exposição, vieram também críticas e não só sobre seu desempenho no samba. A recente conexão com a comunidade foi uma das críticas que apareceram nas redes sociais. Ela afirma que desde a passagem pelo BBB 23 aprendeu a separar o que é opinião útil do que é ataque gratuito. “Críticas construtivas são sempre bem-vindas. Críticas que são só ódio, eu descarto.”

O mesmo vale para elogios. Ela diz não querer depender de nenhum dos dois para medir o próprio valor e afirma que a maturidade ajudou. Terapia também.

Na avenida, promete presença. “Vocês podem esperar uma Bruna muito feliz, muito grata, muito conectada.”

Depois que a festa na Marquês de Sapucaí acabar, a agenda segue cheia. Após o Carnaval, Bruna inicia uma temporada de viagens com a peça “O Dia Seguinte” e se prepara para a estreia da série “Jogo da Risco”, do Globoplay. “Eu não sei quando vou parar”, afirma.