SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O banco Goldman Sachs aceitou a proposta de um grupo conservador e estuda descartar critérios como raça, identidade de gênero, orientação sexual, etnia e outros fatores de diversidade na escolha de candidatos ao conselho de administração.

Segundo informação divulgada pelo jornal The Wall Street Journal nesta segunda-feira (16), a instituição avalia descartar critérios definidos pelo DEI (diversidade, equidade e inclusão) após receber um pedido da organização conservadora sem fins lucrativos National Legal and Policy Center, que tem uma pequena participação acionária na instituição financeira.

O grupo solicitou que a proposta fosse incluída pelo Goldman Sachs na lista que será enviada a outros acionistas antes da assembleia anual, que será realizada ainda neste semestre. De acordo com pessoas ouvidas pelo jornal, o Goldman Sachs informou ao grupo conservador que planeja excluir os critérios do DEI e a expectativa é que o conselho aprove a resolução.

O banco já havia retirado os critérios de diversidade para contratações na empresa no ano passado, logo após o presidente dos EUA, Donald Trump, tomar posse. Entre os programas atingidos está o One Million Black Women, que visava fomentar empresárias negras e líderes de ONGs. O programa deixou de considerar a raça e a orientação sexual, segundo o The Wall Street Journal.

A instituição também estendeu as medidas para encerrar critérios de diversidade em subsidiárias na Europa como exigência para que elas abrissem lançamento na Bolsa.

ENVOLVIMENTO NO ESCÂNDALO EPSTEIN

Na semana passada, o Goldman Sachs se viu envolvido no escândalo Jeffrey Epstein, condenado por pedofilia. A advogada Kathryn Ruemmler pediu demissão após a divulgação de documentos que indicaram que ela era confidente e amiga de Epstein, aconselhando-o sobre como agir ao ser questionado sobre seus crimes sexuais e como evitar a atenção da mídia.

Ruemmler atuava como conselheira jurídica do Goldman Sachs desde 2021 e ainda era sócia e vice-presidente do comitê de risco reputacional do banco. Antes de deixar o banco, ela alegava que mantinha uma relação estritamente profissional com Epstein, mas os documentos mostravam que a advogada, que chamava o bilionário de “querido” e “tio Jeffrey”, mantinha um relacionamento bem mais próximo do que dizia ter.