SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso voltou a permitir que o Santuário de Elefantes Brasil receba novos animais e disse que não há risco sanitário no local, segundo parecer técnico publicado na última quinta-feira (12).
O governo estadual havia suspendido a autorização em 23 de dezembro de 2025, uma semana após a morte da elefanta Kenya. A notificação dava o prazo de 60 dias para a instituição apresentar informações e prestar esclarecimentos.
Em nota, o santuário diz receber a liberação com felicidade e tranquilidade. “A decisão reforça a capacidade técnica do nosso trabalho e valida a transparência e a ética que orientam, diariamente, todas as nossas práticas e procedimentos. Sempre atuamos com responsabilidade, compromisso com as autoridades competentes e respeito absoluto aos protocolos exigidos”, afirma a entidade.
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) diz à Folha que fará uma vistoria no local nas próximas semanas em conjunto com as autoridades estaduais, depois de concluir a análise dos documentos enviados. O órgão federal acompanha o caso de forma complementar, já que a secretaria é a responsável por licenciar o empreendimento.
Em janeiro, a Folha mostrou que o santuário, localizado em Chapada dos Guimarães (MT), havia pedido formalmente à secretaria que reconsiderasse a suspensão da licença. A proibição havia entrado em vigor depois do falecimento da elefanta Kenya, de 44 anos, que viveu cinco meses na instituição após ter sido transferida de um zoológico na Argentina que tinha condições consideradas inadequadas.
Outros três animais perderam a vida pouco tempo após a mudança para o local. A elefanta Pupy havia chegado em Mato Grosso em abril de 2025, vinda da Argentina, e morreu em outubro, com 35 anos. Pocha havia sido transferida em maio de 2022 e faleceu em outubro do mesmo ano, com 57 anos. E Ramba morreu em dezembro de 2019, dois meses após ser levada ao santuário, com idade estimada entre 60 e 65 anos.
“Os óbitos mencionados ocorreram ao longo de quase uma década, decorreram de etiologias distintas, sem nexo epidemiológico comum, envolveram animais geriátricos resgatados após décadas de cativeiro inadequado e incluem eutanásias humanitárias, procedimento ético e tecnicamente indicado em medicina veterinária”, afirmou a instituição no pedido enviado à secretaria.
O Ibama afirma que a maioria dos animais presentes no santuário é proveniente de antigos circos ou de outros países. “Sabe-se que boa parte desses elefantes são idosos, apresentam comorbidades e possuem histórico delicado. Eles foram direcionados para esse criadouro a fim de ter mais qualidade de vida e manejo adequado.”
Na visão do santuário, a proibição teve grande impacto reputacional para a entidade e influência sobre os processos para a transferência de outros elefantes, como Sandro, que vive em Sorocaba (SP), e Baby, atualmente no antigo zoológico do parque Beto Carrero, em Penha (SC).



