BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O BRB (Banco de Brasília) anunciou, em fato relevante, que recebeu na sexta-feira (13) a renúncia de dois conselheiros, Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói Lima de Sousa, cujas indicações aos cargos foram atribuídas a um fundo ligado à gestora Reag.
Vasconcelos e Sousa ocuparam cargos de membro titular e suplente, respectivamente, no conselho do banco estatal. O fundo Borneo, com cerca de 3,1% do capital do BRB, era administrado pela Reag, hoje liquidada pelo Banco Central.
O Borneo é um dos fundos apontados pelas autoridades como integrante de uma teia de participações ocultas do Master e de seu ex-controlador, Daniel Vorcaro. A indicação dos conselheiros pelo Borneo consta em uma ata de reunião do BRB com acionistas, concluída em março de 2025.
No fato relevante, Sousa e Vasconcelos afirmaram ter tido ciência apenas na última quarta-feira (11) de que sua indicação teria sido atribuída ao Borneo e que desconhecem a indicação vinculada ao fundo. “Declaro ainda que não possuo qualquer vínculo, relação ou conhecimento acerca do referido fundo, tampouco conheço seus representantes ou administradores.”
No início de fevereiro, o BRB havia atualizado seu formulário de referência junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), declarando que João Carlos Falbo Mansur, fundador e ex-presidente do conselho de administração da gestora Reag Investimentos, se tornara um de seus principais acionistas.
O empresário foi um dos alvos das operações Carbono Oculto, que investiga a participação do crime organizado no mercado financeiro, e Compliance Zero, que desvenda fraudes e irregularidades cometidas pelo Banco Master. A Reag Investimentos também mantinha laços estreitos com o Master e Daniel Vorcaro.
Como mostrou a Folha, uma auditoria instalada no BRB para apurar a operação envolvendo o Master coloca sob suspeita a atuação de antigos gestores do banco do Distrito Federal.
Vorcaro, Mansur e um outro antigo sócio do ex-banqueiro do Master, Maurício Quadrado, se tornaram acionistas do BRB por meio de fundos de investimento, enquanto a instituição do Distrito Federal aumentava seu capital, com ofertas de ações que levantaram R$ 1 bilhão em 2024.
Em conjunto, esses dois fatores levantam a desconfiança por parte dos investigadores de que a expansão do patrimônio do BRB via oferta de ações tinha como objetivo final ampliar a capacidade do banco de Brasília de fazer negócios com o Master.



